Paciente do HRAC-USP reabilitado será ordenado padre

‘O Centrinho faz parte da minha história. Todo o tratamento e a reabilitação que passei fizeram de mim uma nova pessoa. Melhorei minha fala, meu sorriso e minha autoestima’, afirma André Ladeira Gomes, que teve alta em 2018

Uma de suas lembranças da infância é ter feito arte na Igreja. “Mas eu gostava de estar lá. Minha mãe conta que, nas Missas, eu saia correndo e ficava próximo do altar, para observar tudo o que o padre fazia. Depois repetia os gestos do sacerdote em casa”, relata André Ladeira Gomes, 29 anos.

Nascido com fissura no palato (céu da boca), o jovem passou por tratamento no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP em Bauru – onde teve alta em 2018 – e será ordenado padre no dia 13/11/2022 às 15h, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Leópolis, no Paraná (PR).

“Ainda criança, me tornei coroinha e, quando me perguntavam, eu dizia que queria ser padre quando crescesse”, recorda André.

Mesmo com toda sua vivência cristã e na Igreja desde a infância, durante a adolescência e juventude, o desejo de tornar-se padre ficou mais distante. “Com 15 e 16 anos, quando ainda morava em Minas Gerais, eu queria ser professor ou fisioterapeuta. Minha mãe é professora, diretora de escola, e isso me chamava a atenção. Não pensava mais em ser padre naquele momento, mas nunca deixei de participar da vida da Igreja, ia sempre às Missas e frequentava o grupo de jovens”.

Em 2012, então com 19 anos e já residindo em Figueira (PR), André chegou a trabalhar como auxiliar administrativo em uma autoescola e a cursar Filosofia e Administração de Empresas em uma Universidade no Paraná, na modalidade de Ensino a Distância (EaD). “Foi aí que recebi o convite para participar de um Encontro Vocacional da Diocese de Cornélio Procópio e para conhecer o Seminário Diocesano. A partir daí, revivi aquele desejo lá da infância, senti o chamado de Deus com mais intensidade, mas não tive coragem de dizer o sim na sua totalidade para ingressar no Seminário”, narra.

Foi somente em 2016, com 23 anos, que André decidiu seguir a vocação para o sacerdócio. “O testemunho de vida e a doação dos padres sempre chamaram a minha atenção. Mais maduro na escolha e participativo na vivência da comunidade, decidi, de modo definitivo, que o que queria para minha vida era ser padre, servir a Igreja, anunciar a Palavra de Jesus Cristo, ministrar os Sacramentos e colaborar com o Reino de Deus. O despertar para o sacerdócio, portanto, não foi um fato isolado, mas um processo, uma caminhada”, pontua.

André Ladeira Gomes e a mãe, Leila C. Ladeira, no dia da alta do HRAC, em 2018. Foto: Arquivo pessoal

“O Centrinho faz parte da minha história. Todo o tratamento e a reabilitação que passei fizeram de mim uma nova pessoa. Melhorei minha fala, meu sorriso e minha autoestima”, assinala André, ao refletir sobre o que o HRAC-USP e o processo de reabilitação representam em sua vida.

“Tenho um carinho muito grande por esta instituição e agradeço imensamente o tratamento que recebi durante vários anos e o cuidado que todos tiveram comigo. Agradeço aos médicos, enfermeiros, profissionais de todas as áreas, técnicos, servidores de todos os níveis, amigos e amigas que fiz durante o meu tratamento, por proporcionarem a mim uma melhor qualidade de vida”, conclui.

Após a ordenação, André permanecerá até o final de janeiro de 2023 na cidade de Leópolis e depois deverá colaborar em uma outra Paróquia a ser definida pelo bispo diocesano.

Assessoria de Imprensa HRAC-USP

Assessoria de Imprensa HRAC-USP