Saúde auditiva

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O QUE É: Deficiência auditiva, ou surdez, é toda e qualquer redução da capacidade de ouvir que pode ser causada por malformações do ouvido, fatores genéticos, ou por doenças adquiridas pela mãe e transmitidas para o bebê durante a gravidez, tais como rubéola e toxoplasmose. A surdez também pode acontecer ao longo da vida de uma pessoa, provocada por algum trauma, por uso de remédios que afetam a audição, por infecções de ouvido ou pela própria idade avançada. (ver mais)

As pessoas que têm audição normal conseguem perceber um barulhinho mínimo, equivalente a 15 decibéis; portanto, quem não ouve os sons entre 26 e 40 decibéis já são considerados deficientes auditivos leves. Já a deficiência auditiva profunda está presente quando os sons acima de 80 decibéis – como o de uma britadeira quebrando o concreto – não são notados.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 20151 revelam que 6,2% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) considerou quatro tipos de deficiências: auditiva, visual, física e intelectual. O levantamento foi divulgado pelo IBGE e feito em parceria com a Fiocruz e o Ministério da Saúde (ver mais).

Dos mais de 204 milhões de habitantes no Brasil em 2015, as pessoas com deficiência auditiva representam 1,1% dessa população. Cerca de 0,9% dos brasileiros ficou surdo em decorrência de alguma doença ou acidente e 0,2% nasceu surdo. Do total de deficientes auditivos, 21% tem grau intenso ou muito intenso de limitações, que comprometem atividades habituais.

Podemos prevenir a perda auditiva de diversas maneiras. Por exemplo, evitando a exposição a ruídos intensos; se for realmente necessário essa exposição, usar protetores auriculares; fazer exames pré-natais na gestante que verifiquem qualquer ocorrência alheia à gravidez; realizar a vacinação da criança para impedir que tenha contato com doenças que podem levar à surdez; não ingerir qualquer medicamento sem orientação médica adequada.

(1. fonte: http://www.ebc.com.br/noticias/2015/08/ibge-62-da-populacao-tem-algum-tipo-de-deficiencia)

idade avançada. (clique para fechar)

POR QUE OCORRE: A deficiência auditiva pode ser congênita ou ocorrer ao longo da vida. A surdez congênita, ou quando a criança já nasce com a perda, pode ser provocada no bebê durante a gestação por meio de medicamentos tomados pela mãe, por doenças adquiridas durante a gravidez, ou por causa hereditária. (ver mais)

Algumas doenças podem deixar como sequela a surdez, e se uma gestante for contaminada por alguma dessas doenças, pode afetar o bebê: a rubéola, a toxoplasmose, sarampo, sífilis, herpes, diabetes, pressão alta, meningite, entre outras. A exposição da mãe a radiações e problemas no parto também podem causar surdez na criança.

Outros fatores podem causar a perda auditiva, como malformações anatômicas do sistema auditivo (orelha externa, orelha média, orelha interna), traumas físicos, uso de medicamentos ototóxicos, sequelas de doenças como rubéola, caxumba ou meningite, exposição prolongada a ruídos e sons altos.

causa hereditária. (clique para fechar)

 

CLASSIFICAÇÃO DAS PERDAS AUDITIVAS 

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QUANTO AO TIPO DE PERDA (ver mais)

A classificação do tipo de perda auditiva considera a comparação dos limiares auditivos entre a via aérea e a via óssea de cada orelha. Sem a comparação desses dois limiares torna-se impossível a determinação do tipo de perda auditiva.

Perda auditiva condutiva: (ver mais)

Ocorre quando há algo interferindo na passagem do som da orelha externa até a orelha interna. Pode ocorrer pelo rompimento do tímpano, excesso de cera que se acumula no canal auditivo, introdução de algum material no canal auditivo, infecções no canal auditivo ou nos ossículos da orelha média. A perda auditiva condutiva pode ser revertida, mas necessita de atendimento médico especializado para determinar o melhor tratamento e evitar que se torne irreversível. 

Perda auditiva sensorioneural: (ver mais)

Causada por problemas que provocam lesão nas células nervosas e sensoriais (as células ciliadas da cóclea) que levam o estímulo do som da cóclea até o cérebro. Pode ser provocada pela longa exposição a sons e ruídos altos durante longos períodos de tempo; por sequelas deixadas por doenças como caxumba, meningite, rubéola, doença de ménière; por uso de alguns medicamentos ototóxicos como antibióticos, aminoglicosídeos e salicilatos; por fatores genéticos e até mesmo pelo envelhecimento natural do organismo. 
Este tipo de perda auditiva não tem cura, mas pode ser atenuada com uso de dispositivos eletrônicos. 

Perda auditiva mista: (ver mais)

Caracteriza-se pela combinação dos dois tipos de perda auditiva, condutiva e sensorioneural, afetando a orelha interna, orelha média e orelha externa. Assim, pode ser causada pelos mesmos fatores das duas perdas como rompimento do tímpano, excesso de cera que se acumula no canal auditivo, introdução de algum material no canal auditivo, infecções no canal auditivo ou nos ossículos da orelha média; longa exposição a sons e ruídos altos durante longos períodos de tempo; por sequelas deixadas por doenças como caxumba, meningite, rubéola, doença de ménière; por uso de alguns medicamentos ototóxicos como antibióticos, aminoglicosídeos e salicilatos; por fatores genéticos e até mesmo pelo envelhecimento natural do organismo. O tratamento varia de acordo com a origem e grau do problema, podendo ser medicamentoso, cirúrgico ou com uso de dispositivos eletrônicos (aparelho de amplificação sonora individual ou implantes cocleares).

Desordem do Espectro da Neuropatia Auditiva (DENA): (ver mais)

Atinge o nervo auditivo e envolve o Sistema Nervoso Central, devido a uma alteração no mecanismo de processamento de informações no tronco cerebral. Pode ser percebida pela dificuldade da compreensão das informações sonoras, ou seja, as informações sonoras do nervo não são transmitidas ao cérebro, para processamento. Trata-se de perda irreversível e de tratamento complexo, pois os aparelhos e implantes cocleares podem ter um benefício limitado.

QUANTO AO TIPO DE PERDA (clique para fechar)

 

QUANTO AO GRAU DE PERDA (ver mais)

Há mais de um tipo de parâmetro para classificação das perdas auditivas no Brasil. A maioria das propostas considera a média de tons puros dos limiares de via aérea entre 500, 1.000 e 2.000 Hz. No HRAC, todos os pacientes são classificados de acordo com recomendação da Organização Mundial da Saúde (1997):

Média tonal
(500 Hz, 1kHz, 2kHz e 4kHz)
Classificação
< 25 dBNA Audição normal
26 – 40 dBNA Perda auditiva de grau leve
41 – 60 dBNA Perda auditiva de grau moderado
61 – 80 dBNA Perda auditiva de grau severo
A partir de 81 dBNA Perda auditiva de grau profundo

 

QUANTO AO GRAU DE PERDA (clique para fechar)

 

COMO É O TRATAMENTO

O tratamento oferecido pelo HRAC na área da saúde auditiva tem como objetivo a (re)habilitação auditiva e o desenvolvimento da comunicação, seja por tratamento ambulatorial ou cirúrgico, de acordo com a indicação de cada caso, que considera o tipo e o grau de perda auditiva. São atendidos adultos ou crianças que apresentam dificuldades de comunicação decorrentes de uma perda auditiva. (ver mais)

O atendimento é desenvolvido em três serviços: a Divisão de Saúde Auditiva (DSA), a Seção de Implante Coclear e o Centro Especializado no Desenvolvimento Auditivo (CEDAU).

De acordo com cada caso, são oferecidos tratamento otorrinolaringológico, adaptação de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI) e de Sistema de Frequência Modulada Pessoal (Sistema FM), intervenção cirúrgica com implante coclear,  próteses auditivas de orelha média e próteses auditivas de condução óssea – ambas implantadas por cirurgia -,  acompanhamento e reabilitação auditiva para todos esses dispositivos, e programa de suporte fonoaudiológico e pedagógico para a aquisição e o desenvolvimento da linguagem oral e da Língua Portuguesa escrita. 

Na equipe de atenção à saúde auditiva, estão envolvidas as seguintes especialidades: otorrinolaringologista, fonoaudiólogo, psicólogo, assistente social, enfermeiro, pediatra e geneticista, proporcionando uma abordagem multidisciplinar no diagnóstico e reabilitação da deficiência auditiva. Completam a equipe os técnicos de laboratório de prótese, responsáveis por todo o processo de confecção dos moldes auriculares.

Os AASI são selecionados e classificados segundo os tipos, de acordo com as características mínimas e recursos eletroacústicos, e os benefícios que significam para cada tipo de perda auditiva, conforme normativas do Ministério da Saúde. Quando da adaptação de AASI, a confecção dos moldes auriculares é realizada no laboratório de moldes auriculares da Divisão de Saúde Auditiva, podendo ser confeccionados em acrílico, acrílico antialérgico ou silicone. O HRAC faz o acompanhamento periódico dos usuários de AASI, monitorando a perda auditiva e a efetividade do uso deste dispositivo; oferece, ainda, terapia fonoaudiológica para crianças e adultos. 

perda auditiva. (clique para fechar)

RECURSOS UTILIZADOS NA REABILITAÇÃO: O avanço tecnológico tem permitido a incorporação e a inclusão de diversos dispositivos eletrônicos no processo de reabilitação da deficiência auditiva. Esses dispositivos devolvem ao paciente a sensação auditiva, contribuindo para o desenvolvimento da sua capacidade de comunicação, da linguagem oral, e de sua inserção social.

AASI (Aparelho de amplificação sonora individual) (ver mais)

AASI, conhecido como aparelho auditivo, é um dispositivo eletrônico que ajusta os sons que ouvimos – tanto da fala como ruídos do ambiente – de maneira a favorecer uma melhor comunicação. O som é captado pelo microfone, que converte as ondas sonoras em sinais elétricos, e um amplificador aumenta a intensidade dos sinais, transmitindo o som para o canal auditivo. Esse ajuste que o AASI faz dos sons e frequências  é programado de acordo com a necessidade da pessoa que usa o aparelho; portanto, é indispensável que o uso do AASI seja indicado por um profissional capacitado para esse atendimento. Existem vários tipos de aparelho auditivo, sendo os mais comuns os retroauriculares (que ficam atrás da orelha) e intrauriculares (que vão dentro da orelha).

Implante coclear (ver mais)

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O implante coclear é um dispositivo eletrônico que estimula diretamente o nervo auditivo por meio de pequenos eletrodos colocados cirurgicamente dentro da cóclea, substituindo parcialmente as funções desta parte do ouvido interno. A tecnologia é indicada para pessoas com deficiência auditiva profunda e/ou profunda para severa que não se beneficiam com o uso do AASI. Após a cirurgia, é necessária a ativação computadorizada do implante, com o balanceamento dos eletrodos às condições de cada paciente.

Sistema FM (ver mais)

O Sistema FM é um acessório para aparelhos auditivos que favorece a compreensão da fala em ambientes ruidosos, como a sala de aula. Funciona como um microfone sem fio para o implante coclear ou para o AASI. Considerado um acessório de tecnologia assistiva para dispositivos auditivos, o Sistema FM favorece a compreensão da fala em ambientes com excesso de ruído, como a sala de aula, possibilitando e ampliando a acessibilidade das crianças e jovens no ambiente escolar e é de grande importância para o processo de aprendizado. 

A indicação do Sistema FM se baseia em critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde – amplamente estudados por especialistas – que preveem, dentre várias condições, que o usuário tenha domínio ou esteja em fase de desenvolvimento da linguagem oral, e que seja matriculado no ensino fundamental ou no ensino médio. 

Próteses auditivas implantáveis de orelha média (ver mais)

A intervenção com próteses auditivas cirurgicamente implantáveis de orelha média é indicada para pessoas com deficiência auditiva que não se beneficiam com o aparelho de amplificação sonora individual (AASI) ou que não podem usá-lo por questões médicas, como alterações anatômicas congênitas da orelha externa e ouvido médio. É uma cirurgia com altíssimo índice de sucesso, muito pouco risco, o tempo de internação é de apenas um dia e a ativação do dispositivo pode ser feita logo após três semanas da cirurgia.

Quando instalado, o dispositivo promove vibrações diretamente nas estruturas do ouvido médio, que imitam as mesmas atividades produzidas pelas ondas sonoras se deslocando pelo canal auditivo. Essas vibrações são conduzidas até a orelha interna e são interpretadas pelo cérebro como som. A “transmissão direta” permite excelente qualidade de som sem bloquear o canal auditivo. A prótese auditiva tem dois componentes, um interno e outro externo.  A parte externa é fixada sobre a pele, na cabeça do paciente, com um imã, e funciona com uma bateria. Ela contém um microfone que capta o som e os transmite, pela pele, ao receptor interno. A parte interna do dispositivo é implantada por cirurgia sob anestesia geral, e é composta por um receptor, um imã, o fio condutor, e o Floating Mass Transducer (FMT).

Próteses auditivas de condução óssea (ver mais)

As próteses auditivas de condução óssea – implantadas cirurgicamente – beneficiam pacientes com perda auditiva moderada a severa que não podem utilizar aparelhos convencionais por motivos médicos (como malformação de orelha ou otites crônicas). Trata-se de um dispositivo que transmite as ondas sonoras através do osso craniano diretamente para o ouvido interno. Ao contrário de outros sistemas de condução óssea, minimiza o risco de irritação da pele, e a estimulação direta do osso promove ótimos resultados na transmissão do som.

 

COMO ENCAMINHAR UM PACIENTE: 

A saúde auditiva é área definida pelo Ministério da Saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como um serviço referenciado. Pelas normativas do SUS, serviços referenciados são regulados pela Central de Regulação de Vagas. Na prática, significa que há um fluxo para o primeiro atendimento e que deve ser respeitado pelo cidadão e pelos serviços credenciados pelo SUS:

1º passo: O cidadão com suspeita de problemas auditivos deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), como Posto de Saúde, Unidade de Pronto Atendimento ou Ambulatório Médico de Especialidades e solicitar atendimento de otorrinolaringologia.

2º passo: O profissional da UBS fará as avaliações necessárias e os encaminhamentos que o caso necessitar – inclusive para exames  e procedimentos específicos. Esse encaminhamento é feito pela própria UBS à Central de Regulação de Vagas regional.

3º passo: A Central de Regulação de Vagas é a responsável pelo agendamento do primeiro atendimento do cidadão nos serviços de saúde, e faz esse agendamento após receber os encaminhamentos dos profissionais e as agendas das instituições cadastradas para atendimento. É a Central que define a data e em qual instituição o cidadão será atendido, e avisa o paciente. 

Na área de saúde auditiva, o HRAC está incluído entre as instituições de saúde credenciadas pelo SUS para atendimento aos pacientes dos municípios que compreendem o Departamento Regional de Saúde VI (DRS-VI).

ATENÇÃO: O HRAC não agenda diretamente a primeira avaliação de pessoas com queixas de problemas auditivos. Por favor, não insista. 

PARA IMPLANTE COCLEAR (ver mais)

No caso de IMPLANTE COCLEAR: Para que um paciente seja candidato ao implante coclear, é indispensável que a perda auditiva profunda tenha sido detectada por uma avaliação criteriosa, pois o implante não é indicado para todos tipo de perda auditiva; somente para casos específicos. Para ser candidato ao implante coclear, o paciente não pode ter malformação de orelha.

A solicitação deve ser encaminhada para o Serviço de Prontuário de Pacientes pelo e-mail spp@usp.br

É NECESSÁRIO O ENVIO de:

Para pacientes com até 3 anos de idade: 

Último exame de audiometria (recente), que comprove a perda auditiva

Endereço completo para correspondência (não esquecer o CEP), telefones de contato e e-mail

Número do cartão do SUS

Para pacientes maiores de 3 anos de idade: 

A primeira providência é entrar em contato com o HRAC e pedir o envio do questionário geral. Em seguida:

Devolver o questionário geral preenchido 

Último exame de audiometria (recente), que comprove a perda auditiva

Endereço completo para correspondência (não esquecer o CEP), telefones de contato e e-mail

Número do cartão do SUS