HRAC-USP completa 51 anos priorizando prestação de serviço e foco acadêmico

Comemoração contou com hasteamento de bandeiras, mensagens dos dirigentes, celebração ecumênica e parabéns com crianças deficientes auditivas   

Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP

Uma solenidade no último dia 25 de junho comemorou o aniversário de 51 anos do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP, que integra o campus de Bauru juntamente com a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e a Prefeitura do Campus.

Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP

Realizado no jardim interno do Hospital, o evento reuniu pacientes e familiares, comunidade do campus e autoridades convidadas, e contou com hasteamento de bandeiras, mensagens dos dirigentes, celebração ecumênica, além de um parabéns pra lá de especial, cantado pelas crianças atendidas no Centro Especializado no Desenvolvimento Auditivo (Cedau), ligado à instituição.

Em seu discurso, o professor Carlos Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Deliberativo e superintendente substituto do HRAC e diretor da FOB, lembrou que “essa história começou a partir de um projeto de pesquisa de professores da Faculdade e, ao longo desses 51 anos, o Hospital se tornou excelência não apenas no Brasil mas também no exterior, por meio de trabalhos de pesquisa e dos profissionais do HRAC que foram mundo afora disseminar o trabalho construído. E tudo isso foi possível porque estamos na Universidade de São Paulo, que é uma universidade de pesquisa”.

Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP

O professor Carlos ressaltou que esse momento também é importante para lembrar-se daqueles que iniciaram todo o trabalho, o professor José Alberto de Souza Freitas – um grande idealizador e empreendedor desse trabalho – e todos os superintendentes anteriores. “E também lembrar-se dos nossos pacientes e seus familiares, que confiam a nós as suas vidas, pois nada disso seria possível se eles não confiassem no trabalho aqui desenvolvido. Parabéns a todos os envolvidos! Desde a manutenção até o médico que opera, todos têm a mesma importância, porque uma equipe só é boa quando cada um cumpre o seu papel”.

Sobre o período atual, o professor Carlos afirmou que “o Hospital passa por um momento de transição muito saudável, com a presença de estudantes de Medicina, inicialmente da FOB, mas que em breve serão alunos da Faculdade de Medicina de Bauru, cujo embrião é o HRAC. Tanto é verdade que algumas instalações do HRAC já foram transformadas para receber não apenas os estudantes de Medicina, mas também de Odontologia e Fonoaudiologia, além de profissionais da rede municipal e estadual que já recebem nossos alunos [nos serviços de saúde]”.

Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP

Já o professor José Sebastião dos Santos, superintendente do HRAC e coordenador do curso de Medicina da FOB/USP-Bauru, iniciou sua mensagem dizendo que “estamos aqui para celebrar um dia muito importante, comemorar os 51 anos do HRAC/Centrinho, que, sem dúvida, foi, é e continuará sendo uma boa ideia”.

“A FOB, fundada há 56 anos, logo nos primeiros anos percebeu que precisava olhar para além do horizonte, e, com a criação do Centrinho, começou-se a pensar também em audição e defeitos craniofaciais, uma preocupação genuína e de quem tem uma responsabilidade social muito grande”, frisou.

Para o professor José Sebastião, em 2017, ano do cinquentenário do HRAC, o campus ganhou outro presente, que é o curso de Medicina, para fortalecer e consolidar a USP-Bauru como polo de saúde. “A professora Cidinha [Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, ex-superintendente do HRAC, ex-diretora da FOB e atual pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária da USP], que de certa forma é a madrinha do curso de Medicina, e hoje o professor Carlos, nos acolheram muito bem e permitiram que pudéssemos pensar, junto com o Centrinho e a FOB, numa outra etapa”.

“Hoje, um curso de Medicina ou qualquer curso da área da saúde não está restrito a uma instituição, a uma unidade, a um campus. Ele precisa dialogar com a sociedade que o envolve. E, no nosso caso, com o Sistema Único de Saúde, com o Sistema Único de Segurança Pública, que acaba de ser implantado, e com o Sistema Único de Assistência Social. Temos mantido um diálogo forte com os serviços de saúde, assistência social e segurança publica, porque não dá para pensar num curso, formar bons profissionais e fazer uma boa atenção à saúde sem esses setores. É nessa perspectiva que estamos estruturando esse curso de Medicina, utilizando uma base muito sólida, que é a FOB e o Centrinho”, pontuou José Sebastião.

Ele destacou ainda o enorme apoio da FOB, dos servidores do HRAC e de todo o campus. “Essa integração interna tem sido muito favorável, sobretudo nessa fase inicial. Montar um curso de Medicina ou qualquer curso da área da saúde, aqui, não é uma tarefa tão complexa. O campus de Bauru, a FOB e o Centrinho são muito bem estruturados. E os profissionais tem muita noção de qual é a responsabilidade de cada um. Para nós, o Centrinho já era especial antes. Conhecer de perto e ter a oportunidade e o privilégio de integrar essa instituição é muito prazeroso. Então, nós vamos somar. O que vamos trazer é para fortalecer esse trabalho. O Centrinho ganha muito com toda essa movimentação”, completou o professor.

Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP

Reabilitação e humanização
Um momento emocionante durante a solenidade comemorativa dos 51 anos do HRAC foi a fala do pastor Alexandre Manoel da Costa, da Igreja Luterana de Bauru, que conduziu a celebração ecumênica juntamente com o padre Luis Antonio Carqueijo Sé, da Paróquia São Sebastião, de Pederneiras.

“Eu tenho um filho que está com 20 anos. Ele é deficiente auditivo e visual, e é paciente do Centrinho. Ele acabou de concluir o curso técnico de processos gráficos do Senai e agora inicia seu trabalho profissional. Agradeço demais a essa instituição e estou emocionado de estar aqui hoje”, relatou o pastor Alexandre.

Ao final do evento, a presidente do Grupo de Trabalho de Humanização e Educação Permanente e ouvidora do HRAC, Maria Irene Bachega, destacou que “é uma honra poder manter a tradição de tratar os usuários com carinho e humanização” e convidou a todos para cantarem os parabéns ao Hospital junto com as crianças do Cedau.

Prioridades da gestão
Segundo o professor José Sebastião dos Santos, superintendente do HRAC e coordenador do curso de Medicina da USP-Bauru, algumas das prioridades da atual gestão é assumir com os servidores e gestores condição de prestador de serviço de saúde para fortalecer a vocação como hospital de ensino e pesquisa.

“Nesse contexto, estudos e tratativas têm sido feitas para instituir a ordenação do acesso dos pacientes via Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS). Adicionalmente, está em curso um mapeamento das condições estruturais e sanitárias do Hospital, com a Vigilância Sanitária e o Corpo de Bombeiros, visando à identificação da necessidade de adequações para subsidiar elaboração de plano de investimento que comporte as atuais atividades e outras a serem definidas entre o SUS e a Universidade”, destaca.

Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP

A ampliação do foco acadêmico na instituição – com incremento da atuação de estudantes de graduação em atividades curriculares no Hospital – é outra prioridade da gestão. Neste primeiro semestre de 2018, a estrutura do HRAC já serviu de local para aprendizado dos estudantes dos Cursos de Medicina, Odontologia e Fonoaudiologia do campus. O Hospital também abriga o Núcleo de Educação e Capacitação em Saúde (Necs), importante Centro de Simulação já em funcionamento e que, a partir do segundo semestre, servirá não só para a formação dos estudantes, mas também para a capacitação dos profissionais da rede pública de saúde, como contrapartida da USP para o desenvolvimento de Bauru e região.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Medicina
Nos últimos anos, muito tem se falado no HRAC como “berço” ou “semente” do curso e de uma futura Faculdade de Medicina da USP-Bauru. E não é para menos. Assim como a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) – unidade de ensino que abriga o novo curso –, mais do que oferecer estrutura física e recursos humanos, o HRAC e suas especialidades serão carro-chefe na identidade da Medicina USP-Bauru.

“O curso e uma futura Faculdade de Medicina já nascem com uma base forte nas áreas de anomalias craniofaciais, síndromes associadas e saúde auditiva, especialidades nas quais o HRAC se consolidou como referência nacional e internacional ao longo desses 51 anos de trabalho. A partir daí, a proposta é agregar no futuro Hospital das Clínicas outras áreas e especialidades que a rede de atenção do Sistema Único de Saúde de Bauru e região necessitam”, salienta o professor José Sebastião.

A instituição
O HRAC/Centrinho-USP é uma instituição pública de assistência especializada em saúde, ensino e pesquisa, mantida com recursos da USP, do Sistema Único de Saúde (SUS) e de convênios. O trabalho interdisciplinar de sua equipe, o processo de reabilitação integral e a humanização no atendimento ao paciente são características que desde a origem marcaram o trabalho do Hospital e se destacam até os dias atuais.

Pioneiro em suas áreas de atuação, o HRAC é considerado centro de referência em pesquisa e tratamento das anomalias craniofaciais congênitas, síndromes associadas e deficiência auditiva, com atendimento 100% via SUS. A instituição registra, desde 1967, mais de 111.000 pacientes matriculados no total (sendo cerca de 62.000 em tratamento). Seu Programa de Implante Coclear (dispositivo eletrônico inserido cirurgicamente para estimulação direta do nervo auditivo) é um dos principais do país, com mais de 1.700 cirurgias já realizadas.

Reconhecido como hospital de ensino pelos Ministérios da Saúde e da Educação, é um importante núcleo de geração e difusão do conhecimento, inovações e protocolos de tratamento. Com programa de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) único no país e diversos cursos lato sensu e de extensão (especializações, residências médica e multiprofissionais, aprimoramento profissional e práticas profissionalizantes), todos gratuitos, já formou mais de 1.400 mestres, doutores e especialistas.

O HRAC mantém ainda convênios de cooperação e mobilidade acadêmica com instituições de ensino do exterior (o que reforça sua vocação científica e para a internacionalização) e diversas ações em telessaúde (o que amplia as possibilidades de educação, pesquisa e apoio à assistência à distância).

Por todas essas características, a instituição consolida-se nacional e internacionalmente como um qualificado centro de reabilitação em saúde, formação profissional e pesquisa avançada, tendo contribuído, ao longo dos anos, inclusive, com a implementação de políticas públicas em saúde no país.

Foto: Adauto Nascimento / HRAC-USP

Dia municipal e conscientização
Em virtude da data de fundação do HRAC, 24 de junho também foi escolhido para celebrar o Dia Municipal da Pessoa com Fissura Labiopalatina em Bauru, instituído pela Lei Municipal Nº 6.849/2016.

Com o objetivo de disseminar informações sobre a fissura labiopalatina e o processo de reabilitação, promover atividades de educação em saúde e sensibilizar a sociedade sobre o tema, o Serviço Social do HRAC está planejando para o segundo semestre, em conjunto com a Secretaria de Educação de Bauru, uma série de palestras sobre o tema para estudantes de até 14 anos da rede municipal de ensino.

Você sabia?
– As fissuras labiopalatinas são aberturas na região do lábio e/ou palato que incidem em uma a cada 700 crianças nascidas;
– Essa malformação pode ser identificada por ultrassom, geralmente entre a 15ª e a 22ª semana de gestação. O diagnóstico pré-natal favorece o planejamento dos cuidados com o bebê e o aconselhamento e orientação dos pais por equipe especializada tranquiliza a família;
– Após o nascimento, o foco principal é o cuidado nutricional, visando ganho de peso e um bom desenvolvimento global que favoreça condições para as primeiras cirurgias;
– As principais implicações que as fissuras podem trazer ao indivíduo são dificuldade na alimentação, alterações na arcada dentária e na mordida, comprometimento do crescimento facial e do desenvolvimento da fala e audição. Ao longo dos anos, essa condição pode inclusive trazer impactos sociais e emocionais, como o bullying;
– O tratamento da pessoa com fissura engloba aspectos funcionais, estéticos e emocionais. A atuação da equipe interdisciplinar e a participação da família no processo é fundamental para a qualidade de vida do paciente e para o sucesso da reabilitação;
– Saiba mais em www.hrac.usp.br/noticias/2016/fissura-labiopalatina-o-que-e-importante-saber.

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(Reportagem: Tiago Rodella, HRAC/USP-Bauru)