USP-Bauru terá curso de Medicina em 2018

‘Com uma formação mais humanística, nossa Medicina será uma das melhores do Brasil e de toda a América Latina, graças ao potencial de trabalho que temos no campus de Bauru’, afirma a professora Maria Aparecida Moreira Machado, superintendente do HRAC e diretora da FOB

Uma conquista histórica! O Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP) aprovou, na reunião do dia 04/07/2017, o tão sonhado curso de Medicina do campus de Bauru. Do total de 97 votos, foram 67 favoráveis, 18 contrários e 12 abstenções.

O curso será inicialmente oferecido pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), já a partir de 2018, neste próximo vestibular. Serão oferecidas 60 vagas em período integral. Dessas, 42 vagas serão reservadas para a Fuvest e 18 para a seleção via Sisu, na modalidade destinada a estudantes que tenham cursado o ensino médio integralmente em escolas públicas. A proposta é aumentar gradativamente essa oferta, com 80 vagas em 2020 e 100 vagas a partir de 2021. No futuro, a tendência é que seja criada uma Faculdade de Medicina no campus de Bauru.

Com a criação do novo curso, a USP deverá ceder o novo prédio do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, cabendo à Universidade a gestão acadêmica e ao Estado o aporte de recursos para manter as atividades e novas contratações no HRAC. As tratativas já se iniciaram, e a próxima etapa será a formação de uma comissão para elaboração e formalização de convênio.

“Vamos manter as características reconhecidamente de excelência do Centrinho e, ao mesmo tempo, expandir o escopo de atuação do Hospital e de formação de novos profissionais”, destacou o reitor da USP, professor Marco Antonio Zago, na reunião do Conselho Universitário. Em mensagem gravada à comunidade do campus USP-Bauru, o reitor salientou: “essa criação só foi possível tendo em vista a semente ali plantada pelo Centrinho, que agora vai crescer enormemente com o novo curso. Isso não teria sido possível se não fosse a excelência e a qualidade do trabalho nesses 50 anos. A criação do curso de Medicina é a ampliação da missão do Centrinho. Somos muito orgulhosos disso”.

“Viabilizar a Unidade 2 do Centrinho, o prédio azul, era um compromisso nosso como gestor público. Enquanto Bauru e região tem uma demanda reprimida de leitos e há um hospital parado, somente uma conjunção de forças políticas (locais e estaduais), acadêmicas e até mesmo judiciais (porque também tivemos interlocução com o Ministério Público), fez com que isso acontecesse. Eu atribuo a todo esse trabalho conjunto o sucesso de trazer para Bauru o tão sonhado curso de Medicina, e com a chancela da Universidade de São Paulo”, ressaltou, em coletiva à imprensa, a professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, superintendente do HRAC e diretora da FOB.

Com a parceria – inclusive da Prefeitura de Bauru, que assumirá grande parte dos serviços do Hospital de Base do município – a cidade deverá ganhar 220 novos leitos até 2021, quando o hospital da USP estiver em pleno funcionamento. De acordo com a professora Maria Aparecida, a proposta é que, até o quarto ano do curso de Medicina, grande parte do prédio novo já esteja viabilizado para uso não só dos alunos, mas principalmente da população.

“Será o Hospital das Clínicas de Bauru, gerido com a interveniência da Universidade de São Paulo, em um modelo próximo como acontece nas Faculdades de Medicina de São Paulo e de Ribeirão Preto. Nesse sentido, quero tranquilizar os servidores do Centrinho, que permanecerão vinculados à USP. Eventuais e graduais mudanças em rotinas serão para melhor, para que todos tenham mais tranquilidade de trabalho e mais infraestrutura hospitalar. Quando se fala em saúde, sabemos que os equipamentos se atualizam praticamente diariamente. E, para continuarmos a oferecer saúde de qualidade, como o Centrinho sempre fez, precisamos ter parceiros que possam suprir essas necessidades”, explica a professora.

“Sem contar ainda com aquilo que podemos conquistar com parcerias, como já fizemos com a ONG Smile Train. E também com o fomento a pesquisas. A FOB arrecadou R$ 12 milhões em um ano, e o Centrinho, com os profissionais que trabalham com pesquisa, temos condições também de captar recursos. Eu sei o potencial da nossa maior preciosidade, que são os recursos humanos, o que me deixa tranquilizada como gestora. Por isso, acredito que contra o trabalho não há crise que possa vencer”.

Curso diferenciado
Segundo o pró-reitor de Graduação da USP, professor Antonio Carlos Hernandes, este terceiro curso irá atender a uma grande demanda pela Medicina na Universidade. Atualmente, os cursos de São Paulo e Ribeirão Preto somam 350 vagas e são as 2 carreiras mais concorridas da Fuvest. “Esse curso será apoiado em metodologias ativas, ou seja, um projeto pedagógico centrado no estudante e com o professor como facilitador e mediador do processo de aprendizagem”, disse Hernandes.

A professora Maria Aparecida destaca que a ideia é um curso com uma dinâmica atual, com o aluno no serviço desde o primeiro ano. “Vamos propor uma formação bastante humanística, que é o que precisamos na saúde pública brasileira. O aluno vai ter a chance, por exemplo, de ver uma mãe chorando em um pronto-socorro porque precisa internar o filho. Ele terá proximidade com o dia a dia da saúde pública desde o começo”, revela.

A qualidade do curso será outro diferencial. “Nosso maior patrimônio são as pessoas que trabalham aqui. Se hoje, em mais um ranking, as três Odontologias da USP [Bauru, Ribeirão Preto e São Paulo] são a 9ª melhor do mundo, tenho certeza de que, em um prazo de 10 anos, a nossa Medicina será uma das melhores não só do Brasil, mas de toda a América Latina, graças ao potencial de trabalho que temos no campus de Bauru, na FOB e no HRAC”, avalia a professora Maria Aparecida.

Ainda de acordo com a professora, o campus de Bauru já possui estrutura suficiente para os primeiros anos do curso, com salas de aula e laboratórios. Também já há contatos com docentes de outros campi interessados em lecionar em Bauru. “Nesses primeiros 2 anos, os alunos serão muito bem acolhidos no campus. Temos a infraestrutura para recebê-los, inclusive de permanência estudantil”.

Para a professora Maria Aparecida, portanto, agora começa uma nova etapa, de bastante trabalho, para consolidar o curso no campus. “Não tenho dúvidas de que, com o mesmo empenho que tivemos para conquistar o curso, alcançaremos o êxito que todos esperam. Bauru será outra, antes e depois do curso de Medicina”, completa.

Conquista histórica
A união de esforços em várias esferas foi fator decisivo para essa conquista histórica. Desde sua posse como diretora da FOB, em março de 2014, a professora Maria Aparecida Moreira Machado, hoje também superintendente do HRAC, está empenhada em escrever esta história.

“Acredito que podemos sonhar e planejar para que em um futuro próximo o nosso campus possa incorporar outros cursos de graduação e a Medicina é uma meta. Este é um anseio que não é só meu, é do Campus USP-Bauru, da nossa cidade, da nossa região. Portanto, várias forças deverão se unir para transformar este sonho em realidade e não me furtarei em empreender nisso”, já havia destacado em seu discurso de posse na FOB.

“Várias forças da cidade e até mesmo do Estado nos ajudaram nessa meta, desde políticos até a imprensa de Bauru. Um agente fundamental foi o nosso reitor, professor Marco Antonio Zago, que acreditou no potencial de trabalho do campus USP-Bauru, da FOB e do Centrinho, e nos deu total apoio”, conta a professora. “Além disso, nos últimos anos, em todos os pleitos do Centrinho que levamos ao reitor, fomos muito bem atendidos, valorizando nossos servidores, nossos professores e o que fazemos aqui. Ele foi decisivo para essa conquista, inclusive na defesa durante a reunião do Conselho Universitário”.

“Faço questão ainda de mencionar a importância do professor José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, que implantou essa semente há muitos anos, com diversas lideranças da área médica”, finaliza a professora.

(Com informações do Jornal da USP e da Assessoria de Imprensa da Reitoria da USP)

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Legenda da foto: a partir da esquerda: professores Carlos Gilberto Carlotti, pró-reitor de Pós-Graduação; Raul Machado Neto, presidente da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani); Carlos Ferreira dos Santos, vice-diretor da FOB e superintendente substituto do HRAC; Vahan Agopyan, vice-reitor; Maria Ap. Moreira Machado, diretora da FOB e superintendente do HRAC; José Sebastião dos Santos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP); reitor Marco Antonio Zago; e José Roberto Pereira Lauris, prefeito do campus USP-Bauru

Crédito: divulgação