Simulação Clínica: Conceitos e Aplicação na Formação e Capacitação de Profissionais (HRB4095)

 

DOCENTES RESPONSÁVEIS:

Gerson Alves Pereira Júnior

 

NÚMERO DE CRÉDITOS: 4

 

CARGA HORÁRIA:

Teórica
(por semana)
Prática
(por semana)
Estudos
(por semana)
Duração Total
2h 2h 2h 10 semanas 60h

 

MODALIDADE DE OFERECIMENTO DA DISCIPLINA: Híbrido

Informações adicionais do oferecimento da disciplina: Porcentagem da disciplina que ocorrerá no sistema não presencial (Híbrido) – 30% presencial e 70% online 

 

OBJETIVOS:

Ao final da disciplina o aluno deverá ser capaz de:

• Conceituar e refletir sobre aprendizagem significativa e simulação clínica;
Conhecer e identificar os diferentes níveis de complexidade da simulação clínica; 
• Conhecer, identificar e classificar a fidelidade dos recursos físicos e materiais utilizados em atividades simuladas; 
• Conhecer e identificar os recursos humanos necessários em atividades simuladas; 
• Conhecer, analisar e discutir o método (design da estratégia), para o uso da simulação clínica; 
• Fomentar conhecimentos e competências para organizar a montagem de estações simuladas, incluindo o planejamento, a aplicação e a avaliação; 
• Analisar e discutir o uso da simulação clínica no ensino e no aperfeiçoamento de profissionais; 
• Analisar e discutir o uso de instrumentos de medida no ensino simulado; 
• Identificar e discutir as possibilidades de inserção curricular de atividades simuladas para ensino e avaliação; 
• Discutir a simulação interprofissional e sua utilização prática; 
• Elaborar e desenvolver e vivencias atividades simuladas em diferentes níveis de complexidade e com o uso de distintos recursos e simuladores. 

 

JUSTIFICATIVA:

As rápidas e crescentes transformações das sociedades contemporâneas por sua vez, têm colocado em debate, de modo muito expressivo, os aspectos relativos à necessidade de mudanças na formação e capacitação dos profissionais de saúde (SILVA et al., 2014). Os Sistemas de Saúde enfrentam, atualmente, o desafio de conseguir profissionais competentes, que realizem uma assistência efetiva e de qualidade, incorporando valores adequados, adaptados a locais e contextos determinados.  

A dinâmica de ensino-aprendizagem das metodologias tradicionais de ensino, influenciadas pelas tendências cartesianas, sob uma perspectiva fragmentada e reducionista, coloca o docente na postura de transmissor de conteúdos e o discente no papel de mero expectador (COSTA et al., 2015). Por outro lado, as metodologias de ensino-aprendizagem inovadoras buscam ativar no aluno a construção de conhecimentos a partir de experiências significativas, por meio de uma prática pedagógica participativa, crítico-reflexiva e edificadora de conhecimentos (PANDINI et al., 2007; BOLLELA et al., 2014; SOUZA, IGLESIAS, PAZINFILHO, 2014MORAN, 2018). Dessa forma, associa-se o protagonismo do estudante em sua aprendizagem, a reflexão crítica antes, durante e após suas ações e sua autonomia para aprendizagem contínua (COOREY, 2016).  

Um dos métodos que vem se destacando dentro destas metodologias ativadoras do conhecimento é a Aprendizagem Baseada em Simulação, que é uma estratégia prática que prepara os participantes para atuarem em aspectos relevantes de situações reais. Trata-se de metodologia racional para treinamento de habilidades básicas e simples (capacidades cognitivas, afetivas e psicomotoras mobilizadas em determinado contexto para a realização de tarefas) até as mais complexas, envolvendo aspectos comportamentais (atividade global ou conjunto de atos de um indivíduo perante uma situação), e que permite ao aprendiz atuar em ambiente protegido e seguro com possibilidade da repetição de uma tarefa inúmeras vezes (BEAUBIEN; BAKER, 2004).

Este método também associa a aprendizagem autodirigida dos estudantes/profissionais à experiência do tutor, no momento de escolha da sequência de casos simulados, com o intuito de desenvolver habilidades psicomotoras, habilidades de comunicação e de tomada de decisões, podendo ser planejado o uso de fatores de confusão (distratores) que mais frequentemente ocorrem na prática real e que irão auxiliar na motivação e envolvimento.  

A estruturação dos casos simulados possibilita o desenvolvimento de ideias que permitem envolvimento significativo dos estudantes/profissionais nas discussões de condutas a serem tomadas, baseadas na presença ou não de recursos humanos, diagnósticos e terapêuticos existentes, nos diferentes níveis de atenção à saúde (primário, secundário ou terciário). 

A disciplina Simulação clínica Simulação Clínica: conceitos e aplicação na formação e aprimoramento de profissionais, tem como foco o uso da simulação clínica para a formação e o aprimoramento dos recursos humanos em saúde. Dessa forma, associa-se o protagonismo do estudante em sua aprendizagem, a reflexão crítica antes, durante e após suas ações e sua autonomia para aprendizagem contínua (COOREY, 2016). 

A simulação é uma tentativa em imitar as peculiaridades de uma determinada situação real, almejando sua melhor compreensão e gestão. (NATIONAL LEAGUE FOR NURSING, 2013). Promove em ambiente seguro e controlado o desenvolvimento de aprendizagens significativas e demonstra eficácia na educação cognitiva e comportamental (HOADLEY, 2009). 

Atualmente, por questões de segurança, qualidade, ética, desenvolvimento de novas tecnologias e/ou constantes cenários práticos em mutação, tem sido considerada imprescindível na formação e no aprimoramento dos profissionais da saúde (NATIONAL LEAGUE FOR NURSING, 2013; Martins et al, 2014, Martins et al 2012; LEIGH, 2008). 

No início da utilização do processo de ensino-aprendizagem das atividades práticas, o foco era o treino de habilidades de profissionais, porém nos dias atuais com maior possibilidade de recursos tecnológicos para a simulação, o foco tem sido o desenvolvimento do raciocínio clínico, tomada de decisões, trabalho em equipe, autoconfiança, satisfação e motivação pela aprendizagem, entre outros atributos (Baptista et al, 2014; Martins et al 2014). 

 

CONTEÚDO:

Aprendizagem significativa e simulação
Treinamento de habilidades
Complexidade da simulação
• Simuladores e simulação cênica
Design instrucional das estações simuladas
• Diretrizes curriculares nacionais
Marcos de competências, EPAs
Inserção curricular de simulação
Pacientes simulados
Moulage
Educação e trabalho interprofissional
Simulação interprofissional
Simulação clínica no ensino e avaliação em saúde
Feedback e debriefing
Habilidades não técnicas
Instrumentos de medida e avaliação utilizados no ensino simulado

 

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