Inaugurado o Laboratório de Sindromologia ‘Dr. Antonio Richieri-Costa’

Espaço homenageia médico geneticista reconhecido mundialmente – falecido em 2019 – e servirá de apoio para o desenvolvimento de pesquisas          

Solenidade reuniu dirigentes, docentes, profissionais e estudantes da USP-Bauru. Foto: Tiago Rodella/HRAC

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP) inaugurou, no dia 02/09/2022, o Laboratório de Dismorfologia e Sindromologia “Dr. Antonio Richieri-Costa”.

Localizado no piso superior da Unidade 1 do HRAC-USP, o Laboratório servirá de apoio para o desenvolvimento de pesquisas em Genética por alunos de graduação, pós-graduação e residentes. A proposta foi uma iniciativa da equipe da Seção de Genética Clínica e Biologia Molecular e aprovada por unanimidade pelo Conselho Deliberativo do HRAC-USP.

“O professor Richieri ultrapassou fronteiras. Construiu sua carreira dentro de um serviço e levou o nome do Centrinho não apenas para os quatro cantos do Brasil, mas também para o mundo. Ter uma síndrome com o seu nome, Richieri-Costa, isso é o máximo para um pesquisador, para um clínico como ele. Portanto, fizemos questão de documentar essa homenagem ao professor Richieri, por tudo o que ele representa para o nosso Hospital; por toda a contribuição que ele deu para a compreensão [das anomalias congênitas] dos pacientes que aqui são atendidos; por todos os discípulos que ele formou e pela equipe que ele liderou”, destacou o professor Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do HRAC-USP, durante a solenidade, que reuniu dirigentes, docentes, profissionais e estudantes da USP-Bauru.

“Esta placa é a materialização de todo o respeito que nós temos pelo professor Richieri. Uma placa que a Universidade de São Paulo concede a um professor tem uma simbologia muito forte, imortaliza uma pessoa. E o professor Richieri, a partir de hoje, está imortalizado. Esta homenagem também é importante porque a equipe tem uma intensa ligação afetiva. Esses espaços eram frequentados pelo professor Richieri. Era aqui que ele se reunia com sua equipe para fazer as análises de dados, de imagens. E esse respeito precisa ser perpetuado”, salientou o superintendente.

A bióloga Nancy Mizue Kokitsu Nakata, chefe técnica da Seção de Genética Clínica e Biologia Molecular do HRAC-USP, ressaltou: “foi um grande privilégio convivermos com uma pessoa que tinha, além de uma imensa capacidade profissional, o alento às famílias dos pacientes do nosso querido Centrinho. Não queríamos perder o elo que nos unia tanto a ele. Foi então que surgiu a ideia de transformarmos este espaço, com tão grande significado para nós, em um laboratório de pesquisa, para acolhermos os alunos de graduação, os pós-graduandos e residentes, os amantes da pesquisa, uma das coisas que ele mais gostava de fazer. Acreditamos que não haveria finalidade melhor para esta sala”.

“O Doutor Richieri era um homem simples, porém, de conhecimento ilimitado, coração grande e gargalhadas que nos contagiava todos os dias. E é assim que ele é lembrado. Ao universo científico, ele deixou uma coletânea de informações sobre síndromes e genes relacionados às anomalias craniofaciais. A nós, seu time, deixou um legado que honramos com a continuidade ao seu trabalho, uma verdadeira missão e um grande desafio”, completou a bióloga.

Em seu discurso, o médico Flavio Richieri Costa (filho do Dr. Antonio Richieri), que também atua no HRAC-USP, como anestesiologista, assinalou que “a vida do meu pai praticamente foi dedicada como profissional em genética. Não era simplesmente um emprego, que você vai e cumpre o seu horário. Em casa, ele abria o computador e, assim como a gente assiste à Netflix, lia artigos, estudava algo que o fascinava”.

“Desde a época da faculdade de medicina, ele sempre disse que não queria ser simplesmente mais um profissional. Queria estudar, pesquisar, de alguma forma ser relevante. Acho que essa placa representa um pouco disso, não só os artigos, a própria síndrome, mas o trabalho de uma vida. E essa sala pode suscitar o interesse de novos alunos, pode ser um lugar em que mais trabalhos sejam desenvolvidos e em que esse legado de certa forma continue”, finalizou Flavio.

Presente na solenidade, o biólogo Esiquiel de Miranda, que também atuou na Genética do HRAC-USP, mencionou a sensibilidade e talento de Richieri para a poesia, recordando de uma em especial que faz uma reflexão sobre o DNA e o ciclo da vida, a qual o homenageado o ajudou a compor.

 

 

Reprodução de obra de Milton Nakata

Reconhecimento mundial
Falecido em 02/08/2019, aos 73 anos, o bauruense Antonio Richieri-Costa graduou-se em Medicina e fez residência em Neurologia Clínica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Obteve os títulos de doutor em Genética pelo Instituto de Biociências (IB-USP) e de livre-docente pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).

Atuou como médico geneticista do HRAC-USP por 33 anos (1986-2019), onde foi pioneiro na área de Genética Clínica e também orientador permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação.

O trabalho em Genética desenvolvido no HRAC-USP sob sua liderança é internacionalmente reconhecido, resultando inclusive na descrição de uma síndrome rara, no ano de 1992, denominada Síndrome Richieri-Costa-Pereira (cujo gene responsável foi identificado em 2012 pelo mesmo grupo do HRAC-USP em colaboração com a equipe do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do IB-USP).

Dr. Richieri foi um dos grandes incentivadores da criação da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM) e sócio honorário da entidade. Também foi um respeitado pesquisador, com a publicação de mais de mais de uma centena de artigos científicos, como membro do grupo de estudos em anomalias congênitas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e por integrar estudos de grande relevância – entre eles o Projeto Genoma –, além de coordenar pesquisa sobre a importância do ácido fólico na prevenção das anomalias craniofaciais congênitas, em conjunto com a Universidade de Iowa (Estados Unidos).

 

(Imagem de capa: Prof. Carlos F. Santos, Flavio Richieri e Dra. Cleide Carrara (superintendente substituta do HRAC) descerram placa do Laboratório. Foto: Tiago Rodella/HRAC)

Assessoria de Imprensa HRAC-USP

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