HRAC-USP finaliza força-tarefa de cirurgias de enxerto ósseo com 78 pacientes operados

Ação foi realizada na semana de 07 a 11/02/2022 e mobilizou diversas equipes do Hospital, residentes, especializandos, além de estudantes de Medicina da FOB-USP

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru realizou, de 07 a 11/02/2022, a Semana de Cirurgia de Enxerto Ósseo. A força-tarefa operou 78 pacientes do Hospital com indicação de enxerto ósseo alveolar, a maioria deles, bilateral.

De acordo com a cirurgiã-dentista Roberta Martinelli Carvalho, chefe técnica da Seção de Cirurgia Bucomaxilofacial do HRAC-USP, essa é uma ação muito expressiva, até mesmo em nível mundial, considerando a quantidade de cirurgias em apenas uma semana. “Para se ter uma ideia, na rotina normal de cirurgias de enxerto ósseo são operados cerca de 30 pacientes por mês. Nessa ação foram operados 78 pacientes em uma semana”, compara.

Parte da equipe multidisciplinar e alunos que participaram da força-tarefa

“Uma força-tarefa dessa traz impacto muito positivo, pois proporciona resolutividade aos pacientes e também uma rica oportunidade de aprendizado aos futuros médicos e especialistas. Além disso, essa força-tarefa envolve a atuação e colaboração entre diversas equipes do HRAC-USP, das áreas de Anestesiologia, Cirurgia Bucomaxilofacial e demais especialidades da Odontologia, Cirurgia Craniofacial, Cirurgia Plástica, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição, Otorrinolaringologia, Psicologia, Serviço Social e pessoal administrativo de agendamento”, destaca o professor Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do HRAC-USP.

A Semana também contou com a participação de residentes e especializandos do Hospital e de estudantes do Curso de Medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP), além do apoio da Smile Train, organização parceira do HRAC-USP.

Foto: Tiago Rodella/HRAC

A cirurgia mais esperada
A técnica de enfermagem Michelle da Silva Munhoz, 29, de Mauá (SP), é paciente do HRAC-USP e já passou por nove cirurgias, inclusive a de enxerto ósseo. Dessa vez, entretanto, veio acompanhar o filho Raphael Lucas Munhoz Bernardo, 9, paciente do Hospital desde os primeiros meses de vida também, e que realizou o procedimento no dia 08/02/2022.

Foto: Arquivo pessoal

“O processo todo de reabilitação é muito importante em nossa vida. A gente nasce com a fissura e as pessoas não têm ideia da caminhada que é até o fim. A cirurgia de enxerto ósseo foi um divisor de águas para mim. É a cirurgia que a gente mais espera, porque depois coloca o aparelho e a estética vai melhorando, que é o que a gente quer quando vai crescendo”, relata Michelle.

Mesmo com toda sua experiência, a técnica de enfermagem estava tensa e ansiosa enquanto aguardava, na Recreação, a cirurgia do filho. “Quando descobri que estava grávida do Rafa e logo em seguida soubemos pelo ultrassom que ele nasceria com fissura, todo mundo falou que seria mais fácil, porque eu já passei por isso e já sabia como seria. Acho que, na verdade, isso torna um pouco mais difícil, justamente porque já sabemos as dificuldades que a gente encontra. Mas ajuda na hora de conversar e explicar que tem tratamento, que aqui é maravilhoso, tem todos os cuidados, as cirurgias, tudo pela reabilitação”, afirma.

Dra. Roberta Martinelli (segunda à esquerda) durante ato cirúrgico

O procedimento
O enxerto ósseo alveolar é uma cirurgia que reconstitui o osso do arco dentário (rebordo alveolar) em pacientes com fissura labiopalatina. O procedimento é indicado por volta dos dez anos de idade, podendo variar conforme as condições odontológicas de cada paciente.

Para o preenchimento do defeito ósseo alveolar, é utilizado osso do próprio paciente, retirado da crista ilíaca (na região do quadril) ou do mento (queixo). Todo o procedimento cirúrgico dura em torno de duas horas, envolvendo equipe médica, odontológica e de enfermagem.

Roberta Martinelli ressalta ainda que essa é uma etapa fundamental do tratamento de pacientes com fissura labiopalatina. “A cirurgia de enxerto ósseo alveolar permite o progresso do tratamento ortodôntico, para o restabelecimento da estética do sorriso e da função mastigatória, com implicação positiva para a autoestima e a qualidade de vida do paciente”, pontua.

O HRAC-USP é precursor nas cirurgias de enxerto ósseo alveolar no Brasil, tendo recebido, em 1992, os especialistas pioneiros na técnica, da Universidade de Oslo (Noruega), para demonstração do procedimento e capacitação da equipe do HRAC-USP e de outros centros especializados do país.

 

(Fotos: Dr. José Carlos da Cunha Bastos Júnior e André Boro/HRAC)

Assessoria de Imprensa HRAC-USP

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