(Português do Brasil) Residente do HRAC-USP é aprovado para doutorado no Canadá

Sorry, this entry is only available in Brazilian Portuguese.

Após importante contribuição para o diagnóstico da covid-19 em Bauru e região, o jovem bauruense Yohan Zonta realizará estudo para entender melhor as causas e o surgimento da esclerose múltipla e de outras doenças degenerativas neurológicas, para que tratamentos possam ser desenvolvidos e aperfeiçoados

Março de 2020. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declara pandemia do coronavírus. Quarentenas são decretadas em Estados pelo Brasil. Era nesse cenário novo e de muita apreensão que Yohan Ricci Zonta, hoje com 24 anos, iniciava sua jornada como residente do programa de Residência Multiprofissional em Saúde – Síndromes e Anomalias Craniofaciais do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru.

Biomédico e mestre em Ciências pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, o jovem retornava à cidade natal para atuar dentro do Hospital da USP, nas áreas de Análises Clínicas, Genética e Fisiologia Humana. “Sempre me interessei por aconselhamento genético e sabia que o HRAC é referência na América Latina”, conta.

O momento desafiador, entretanto, propiciou que Yohan trilhasse outro caminho. Em abril de 2020, sob a liderança do professor Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do HRAC-USP e diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP), o Laboratório de Farmacologia da FOB-USP – coordenado por ele – era habilitado pelo Instituto Adolfo Lutz para realizar a testagem molecular para covid-19 por meio de RT-PCR. Com a alta demanda pelos exames, ao longo dos meses o Laboratório precisou agregar estrutura e equipe.

“Fui convidado pelo professor Carlos para ajudar no diagnóstico da doença via RT-PCR na rede pública de Bauru e região. Aceitei a proposta prontamente e posso dizer que foi muito engrandecedor, tanto profissionalmente, uma vez que as técnicas aprendidas no Laboratório de Farmacologia da FOB-USP serão de grande importância para o meu futuro na pesquisa, quanto pessoalmente, já que poder ajudar a população é um dos motivos de ter me tornado biomédico e, principalmente, pesquisador”, relata.

Rumo ao Canadá
Após um ano de intenso aprendizado e importante contribuição para o enfrentamento da covid-19, um novo horizonte se abre para a formação e especialização profissional do jovem. Yohan acaba de ser aprovado no programa de Doutorado em Neurociências da Universidade de Calgary, no Canadá. “Já havia realizado estágio nessa universidade durante meu mestrado, e me apaixonei pela instituição. Fiquei interessado pela linha de pesquisa do laboratório da professora Shalina Ousman, e então dei início ao processo de admissão no programa”, comenta.

O estudo que Yohan realizará durante o doutorado busca entender como os astrócitos (células do sistema nervoso) podem estar danificando as células nervosas e causando o surgimento dos sintomas da esclerose múltipla e seu agravamento. “Uma protease chamada Cistatina C pode estar causando esse comportamento [proteases são enzimas que agem sobre as proteínas e atuam em diversos processos fisiológicos e celulares]. Entender esse mecanismo pode nos levar a compreender o processo do surgimento da doença, o que é de extrema importância para que tratamentos possam ser desenvolvidos e melhorados, já que muitos deles são direcionados para proteínas, enzimas ou células causadoras da doença”, explica Yohan.

“Meu objetivo durante o doutorado é compreender essas causas para poder ajudar diversos pacientes no mundo que são diagnosticados com esclerose múltipla e outras doenças degenerativas neurológicas todos os anos. Os conhecimentos adquiridos na USP irão me ajudar muito no desenvolvimento desse projeto, uma vez que as técnicas moleculares que aprendi durante a residência serão utilizadas na minha pesquisa, além de desenvolver cada vez mais minha paixão pela área científica”, ressalta.

O doutorado de Yohan terá início em agosto de 2021 e duração de seis anos, em período integral e com bolsa de estudos. O laboratório onde atuará fica dentro do Hospital de Foothills. “Tenho uma gratidão e um carinho especial pelo professor Carlos. Ele foi meu supervisor na área de diagnóstico de covid-19 na USP e me ajudou muito no processo de admissão no programa de doutorado, fornecendo uma carta de recomendação e auxiliando durante todo o processo. Gostaria de agradecê-lo pela ajuda e oportunidade dadas”, frisa.

“Após a conclusão do doutorado, pretendo ingressar em um pós-doutorado, provavelmente no mesmo laboratório ou em um laboratório parceiro, principalmente envolvendo a prática que mais me interessa, que é o uso de microscopia”, finaliza Yohan.

 

(Imagem de capa: Prof. Carlos F. Santos e Yohan Zonta na Superintendência do HRAC-USP. Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP)

Assessoria de Imprensa HRAC-USP

Assessoria de Imprensa HRAC-USP