Laboratórios da USP reforçam diagnóstico de covid-19 no interior paulista

Testes moleculares feitos por pesquisadores da universidade têm sido cruciais para o enfrentamento da pandemia na região; FOB integra rede de diagnóstico

Por Herton Escobar, Jornal da USP

O professor Carlos F. Santos. Foto: Priscila Medeiros, Prefeitura de Bauru

O professor Carlos Ferreira dos Santos acorda todos os dias às 5 horas para um encontro marcado com o novo coronavírus. Toma café da manhã e segue para um laboratório da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, onde uma nova batelada de amostras de pacientes com suspeita de covid-19 sempre aguarda para ser processada. A camisa social dá lugar aos equipamentos de proteção individual (EPIs) – luvas, avental, viseira, máscara – e assim o trabalho começa, sempre às 6 horas, para garantir que os resultados estejam disponíveis no mesmo dia.

Doutoranda Thais Garbieri. Foto: Reprodução, Currículo Lattes

Acompanhado da aluna de doutorado Thais Garbieri – igualmente paramentada, para evitar qualquer tipo de contaminação –, ele realiza uma série de procedimentos bioquímicos para extrair o material genético do vírus das amostras e prepará-lo para ser levado, de forma segura, a um outro laboratório da faculdade, onde será realizado o exame de detecção por RT-PCR. São cinco horas ininterruptas de trabalho e concentração extrema. “É como se estivéssemos atendendo pacientes contaminados num hospital, então todo cuidado é absolutamente necessário”, relata Santos – que é diretor da FOB, mas não hesitou em vestir os EPIs e voltar à bancada do laboratório para dar sua contribuição no combate à pandemia.

O trabalho faz parte de um grande esforço de apoio à saúde pública que está em curso nas unidades que integram a Rede USP de Diagnóstico da Covid-19 (RUDIC) no interior paulista. Além da FOB, em Bauru, participam o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) e a Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), em Pirassununga. Juntas, elas já realizaram cerca de 1,8 mil testes moleculares de covid-19, para pacientes e profissionais de saúde de mais de 50 municípios; sempre em colaboração com as autoridades de saúde locais e o Instituto Adolfo Lutz (IAL), que é a instituição de referência do governo do Estado para esse monitoramento de doenças infecciosas.

A RUDIC, por sua vez, integra uma rede emergencial de diagnóstico de covid-19 organizada pelo Estado de São Paulo e coordenada pelo Instituto Butantan.

Bauru
Em Bauru, a FOB realizou cerca de 300 exames nas últimas duas semanas, desde que os laboratórios credenciados passaram a receber amostras. “Para uma grande cidade como São Paulo esses números podem parecer pequenos; mas, para o sistema público de saúde de Bauru, é um número significativo”, destaca Santos. Cada leito hospitalar é essencial para o atendimento à população, especialmente nos municípios menores da região (onde a oferta é pequena), e por isso a rapidez nos exames é vital para garantir o bom aproveitamento desses leitos e o encaminhamento correto dos pacientes – confirmando ou descartando o diagnóstico de covid-19 no menor tempo possível. “É uma ajuda muito preciosa”, reforça Santos. “Quanto mais pessoas puderem ser testadas, melhor”.

Virgínia Pereira, do IAL Bauru. Foto: Marcele Tonelli, JCNET

O IAL de Bauru recebe as coletas de 38 municípios da região e compartilha essas amostras com a FOB e o Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL), também do governo do Estado. “Até teríamos condições de atender a demanda sozinhos, mas dividindo as amostras dessa forma o processo fica muito mais ágil; e assim conseguimos dar uma resposta mais rápida para a população”, diz a diretora do IAL Bauru, Virgínia Pereira.

Os resultados da FOB são emitidos em 24 horas. “Por enquanto, os níveis de ocupação dos leitos estão em níveis aceitáveis, mas a adesão ao isolamento social está enfraquecendo e a tendência é de crescimento da epidemia; então é uma situação preocupante”, avalia Santos. “Estamos todos em estado de alerta”. O trabalho é financiado com recursos da própria faculdade e doações de empresas locais, que já ultrapassaram a marca de R$ 55 mil. Os recursos estão sendo usados prioritariamente para a compra de insumos essenciais, como kits de reagentes e equipamentos de proteção, indispensáveis para a realização dos exames.

“A maior honra para um pesquisador é poder colocar a estrutura de pesquisa da USP a serviço da população”, emociona-se Santos. Além de dirigir a FOB, ele é presidente do conselho deliberativo e superintendente interino do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC-USP), o Centrinho, que assumirá o atendimento pediátrico de pacientes do Hospital Estadual de Bauru, caso este precise liberar mais leitos para o tratamento de pacientes com covid-19.

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