Semana amplia conhecimento público sobre fissura labiopalatina

Centrinho-USP participou com diversas atividades e Bauru foi palco do encerramento, com apresentação do Coral da USP aberta ao público     

Apesar de atingir uma em cada 650 crianças nascidas, a fissura labiopalatina – abertura na região do lábio e/ou palato – ainda é desconhecida por grande parte da população.

Com o intuito principal de dar visibilidade e ampliar o conhecimento do público sobre essa malformação, a Smile Train – instituição filantrópica internacional – promoveu, de 30 de setembro a 04 de outubro de 2019, a 2ª Semana Pan-Americana de Fissura Labiopalatina, com atividades em diversos países do continente americano.

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP participou do evento com diversas atividades especiais, voltadas aos pacientes, estudantes e também à população.

Durante a semana, o HRAC-USP priorizou cirurgias relacionadas ao tratamento da fissura labiopalatina, como as cirurgias plásticas reparadoras e as de enxerto ósseo alveolar (que reconstituem o osso do arco dentário).

No dia 02 de outubro, quarta-feira, das 14h às 18h, foi realizado um workshop sobre o tratamento multidisciplinar das fissuras labiopalatinas voltado a estudantes de graduação dos cursos de Odontologia, Fonoaudiologia e Medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP). O workshop aconteceu no Teatro Universitário da USP-Bauru e foi ministrado por docentes da FOB-USP e profissionais do HRAC-USP.

Coral da USP e encerramento
Bauru também foi palco do encerramento da 2ª Semana Pan-Americana de Fissura Labiopalatina, no dia 04 de outubro (data em que é celebrado o Dia Mundial do Sorriso – primeira sexta-feira de outubro).

No período da manhã, das 9h às 11h, ocorreram atividades lúdicas – arte com balões e pintura facial – para as crianças atendidas no HRAC-USP.

Na mesma manhã, a partir das 9h, o HRAC-USP recebeu a visita de Susannah Schaefer, presidente e diretora executiva (CEO) da Smile Train, para conhecer in loco o trabalho desenvolvido pelo Hospital. Ela foi recebida pelo superintendente do HRAC-USP e diretor da FOB-USP, professor Carlos Ferreira dos Santos.

Foto: Divulgação / Coral da USP

À noite, a partir das 19h, no Teatro Universitário da FOB-USP, aconteceu a solenidade de encerramento da Semana, com pronunciamentos do superintendente do HRAC-USP, Carlos Ferreira dos Santos; da pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária da USP, Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado (superintendente do HRAC-USP na gestão 2016-2018); e da CEO da Smile Train, Susannah Schaefer.

O evento contou com apresentação do Coral da USP, ligado à Pr­ó-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária. No programa, o Grupo Sestina do CORALUSP – formado por mais de 30 integrantes, entre coralistas e instrumentistas – apresentou “Misa a Buenos Aires – Misatango”, sob a regência de Marcia Hentschel. Mais famosa obra do compositor e maestro argentino Martín Palmeri, “Misatango” nasceu da intenção do autor de interpretar o tango com grupos corais, integrando suas principais experiências musicais, como intérprete e arranjador de tango e regente de coro. O concerto é gratuito e aberto a toda a comunidade.

Foto: Adauto Nascimento / HRAC-USP

A fissura labiopalatina
Condição congênita em que há comprometimento da fusão dos processos faciais durante a gestação, a fissura labiopalatina está relacionada a fatores genéticos e ambientais. Apresenta grande variabilidade clínica, podendo envolver desde uma pequena cicatriz labial até fissuras completas e bilaterais, que atingem o palato e são mais complexas. Pode ocorrer de forma isolada, estar associada a outras malformações ou ainda fazer parte de um quadro sindrômico. A prevalência no Brasil é de uma a cada 650 crianças nascidas.

As principais implicações que as fissuras podem trazer ao indivíduo são dificuldade na alimentação, alterações na arcada dentária e na mordida, comprometimento do crescimento facial e do desenvolvimento da fala e audição. Ao longo dos anos, essa condição pode inclusive trazer impactos sociais e também o bullying.

O tratamento é um processo que envolve a atuação de equipe interdisciplinar, das áreas de cirurgia plástica, odontologia, fonoaudiologia, entre outras especialidades, todas indispensáveis à reabilitação, que engloba aspectos funcionais, estéticos e emocionais.

Foto: Adauto Nascimento / HRAC-USP

HRAC/Centrinho-USP
Fundado em 1967, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP é pioneiro em suas áreas de atuação e considerado centro de referência no tratamento das anomalias craniofaciais congênitas, síndromes associadas e deficiências auditivas, com assistência disponibilizada via Sistema Único de Saúde (SUS). O acesso de novos pacientes é por meio das centrais de regulação, a partir de avaliação inicial em unidade básica de saúde.

Reconhecido como hospital de ensino pelos Ministérios da Saúde e da Educação, o HRAC-USP é também um importante núcleo de geração e difusão do conhecimento e inovações, com programa de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), além de cursos lato sensu e de extensão (residências médicas e multiprofissionais, especializações e práticas profissionalizantes), todos gratuitos.

Nessas cinco décadas de atividades, o Hospital registra mais de 115.000 pacientes matriculados, vindos de todos os Estados do país, e já formou mais de 1.500 mestres, doutores, especialistas e outros profissionais em cursos de extensão universitária.

O HRAC-USP é um dos 40 centros que recebem apoio financeiro da Smile Train no Brasil, por meio das cirurgias realizadas, com parceria iniciada em 2017.

Site: http://hrac.usp.br/.

Smile Train e Susannah Schaefer
A Smile Train é uma instituição filantrópica internacional, sediada em Nova Iorque (Estados Unidos), que há 20 anos apoia o tratamento da fissura labiopalatina. Com atuação em mais de 90 países, contribui ainda com a capacitação de médicos para prestarem assistência a esses pacientes.

Susannah Schaefer é presidente e diretora executiva (CEO) da Smile Train, onde ingressou em 2013, após servir como membro do conselho por mais de dez anos. Em seu cargo, lidera a visão da Smile Train de expandir o acesso à assistência médica e aumentar a capacidade de atendimento nos países. Bacharel em Comunicação, é curadora da Smile Train do Reino Unido.

Site: https://www.smiletrainbrasil.com/.

(Foto em destaque: Daniela Falasca / HRAC-USP)