HRAC/Centrinho-USP completa 52 anos ampliando contribuição com a assistência e o ensino

Solenidade nesta segunda-feira, 24 de junho, marca o aniversário da instituição                         

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP completa 52 anos de atuação no próximo dia 24 de junho, segunda-feira. A data será celebrada com solenidade no jardim interno do Hospital, a partir das 8h30, com hasteamento da Bandeira Nacional e pronunciamento do novo superintendente do HRAC-USP, professor Carlos Ferreira dos Santos. O evento reunirá pacientes e familiares, servidores, docentes, alunos e dirigentes do campus USP-Bauru.

Foto: Denise Guimarães, FOB-USP

De acordo com o superintendente, “o foco da atual gestão é conduzir com responsabilidade a ampliação das atividades do HRAC, dentro do contexto de implantação do Hospital das Clínicas de Bauru, complexo que a instituição irá integrar, e da criação da Faculdade de Medicina de Bauru, a qual damos total apoio à estruturação e cujo embrião é o HRAC”.

“É uma transição muito saudável, em que o HRAC é base sólida para a ampliação da rede de assistência estadual em Bauru e da formação acadêmica qualificada, contribuindo, mais uma vez, com as políticas públicas de saúde e educação, uma marca dessa trajetória de sucesso do Hospital”, destaca o professor Carlos.

Para o superintendente, “o momento é importante também para lembrar e homenagear as pessoas que iniciaram todo esse trabalho e nos antecederam, em especial o professor José Alberto de Souza Freitas [Tio Gastão], um grande idealizador e empreendedor, e toda a equipe que hoje constrói a história do HRAC”. “Não podemos deixar de mencionar e agradecer aos nossos pacientes e seus familiares, pela entrega e esforços para a reabilitação e pela confiança no trabalho aqui desenvolvido”, acrescenta.

Foto: Marcos Santos, USP Imagens

Definição do perfil assistencial
Um avanço importante ocorrido em junho foi a definição do perfil assistencial do futuro Hospital das Clínicas, que será uma nova unidade hospitalar da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) em Bauru, concebida para manter e fortalecer o trabalho já realizado pelo HRAC-USP e complementar as necessidades dos 68 municípios que compõem o Departamento Regional de Saúde (DRS-6).

“As especialidades e serviços serão definidos conjuntamente com o DRS-6 e os demais hospitais da SES-SP em Bauru, em um desenho maior que visa a formação de um complexo hospitalar para otimização de insumos e equipes, além de preservar e potencializar a excelência do HRAC, que será incorporada ao Hospital das Clínicas”, afirma o professor Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do HRAC-USP e diretor da FOB-USP.

O perfil assistencial ficou estabelecido em reunião realizada no último dia 12 de junho, na SES-SP, em São Paulo. Além do dirigente da USP-Bauru, participaram da reunião: José Henrique Germann Ferreira, secretário de Estado da Saúde; Alberto Hideki Kanamura, secretário adjunto da SES-SP; Olímpio José Nogueira Viana Bittar, assessor de Gabinete da SES-SP; e os professores Vahan Agopyan, reitor da USP; Antônio Carlos Hernandes, vice-reitor da USP; Edmund Chada Baracat, pró-reitor de Graduação da USP; Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho, diretor da Faculdade de Medicina (FM-USP) de São Paulo; Margaret de Castro, diretora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP); Paulo Francisco Ramos Margarido, superintendente do Hospital Universitário (HU-USP); e Adriana Fragalle Moreira, procuradora geral da USP.

O professor Carlos Ferreira dos Santos ressalta que a reunião na SES-SP ratificou proposta delineada anteriormente entre representantes da USP, DRS-6/SES-SP, Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, Hospital de Base e Ministério Público Estadual, que prevê a destinação do Hospital de Base exclusivamente para atendimento dos casos de urgência e emergência, e que os demais hospitais da cidade sejam unidades de atenção eletiva, com ordenação de acesso mediante regulação, visando organizar e racionalizar a rede hospitalar, com tipificação dos serviços, sendo descartada a transferência do Hospital de Base para o HC.

“Conforme esse delineamento, portanto, somente alguns procedimentos cirúrgicos eletivos de baixo risco atualmente realizados no Hospital de Base poderão ser incorporados ao HC, dentro de uma lógica de reforçar a excelência do HRAC em áreas compatíveis, como, por exemplo, neurocirurgia pediátrica e otorrinolaringologia, e em consonância com as necessidades dos 68 municípios do DRS-6”, salienta o dirigente do HRAC-USP e FOB-USP.

Além da definição do perfil assistencial, conforme anunciado pelo Governo do Estado de São Paulo no último dia 16 de maio, até o final de 2019, deverá ser concluída a licitação de um projeto arquitetônico para adequação do prédio do Hospital das Clínicas. A perspectiva, segundo o Governo, é que as obras sejam iniciadas no primeiro trimestre de 2020. Assim como as demais unidades de saúde e hospitais da rede municipal e estadual, o futuro HC servirá como ambiente de formação para os estudantes de Medicina, Odontologia e Fonoaudiologia.

Foto: Adauto Nascimento, Banco de imagens HRAC-USP

A instituição
Instituição pública de prestação de serviços à sociedade, ensino e pesquisa, o HRAC/Centrinho-USP é mantido com recursos da USP, do Sistema Único de Saúde (SUS) e de convênios.

Fundado em 24 de junho de 1967 – a partir de pesquisa realizada por professores da FOB-USP que identificou a incidência de fissura labiopalatina em uma a cada 650 crianças nascidas –, o HRAC é pioneiro em suas áreas de atuação e considerado centro de referência no tratamento das anomalias craniofaciais congênitas, síndromes associadas e deficiências auditivas, com assistência disponibilizada via SUS. O trabalho interdisciplinar de sua equipe, o processo de reabilitação integral e a humanização no atendimento ao paciente são características que desde a origem marcaram a atuação do Hospital e se destacam até os dias atuais.

Foto: Arquivo Pós-Graduação HRAC-USP

Reconhecido como hospital de ensino pelos Ministérios da Saúde e da Educação, o HRAC é também um importante núcleo de geração e difusão do conhecimento e inovações. Oferece programa de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) único no país e no mundo, além de cursos lato sensu e de extensão (residências médicas e multiprofissionais, especializações e práticas profissionalizantes), todos gratuitos. Diversos convênios de cooperação e mobilidade acadêmica com instituições de ensino do Brasil e do exterior reforçam sua vocação científica e para a internacionalização.

Desde sua fundação, o HRAC registra mais de 115.000 pacientes matriculados no total, e já formou mais de 1.500 mestres, doutores, especialistas e outros profissionais em cursos de extensão universitária.

A excelência do trabalho realizado pelo HRAC já foi reconhecida, historicamente, por diversos prêmios e certificações, concedidos por órgãos de renome do Brasil e do exterior. Essas premiações são importantes porque apontam a qualidade dos serviços prestados, o nível do ensino e pesquisa, instalações e infraestrutura, humanização, além de aspectos como inovação e gestão. Prêmio Melhores Hospitais do Estado, Olimpíada USP de Inovação, Prêmio Tese Destaque USP e Prêmio Saúde Editora Abril são algumas das premiações que o HRAC ou membros de sua equipe tiveram destaque nos últimos anos.

Todas essas características consolidam o HRAC, nacional e internacionalmente, como um avançado centro de reabilitação em saúde, formação profissional e pesquisa, com posição de destaque nos cenários assistencial, educacional, científico e social.

Foto: Adauto Nascimento, Banco de imagens HRAC-USP

Dia municipal da fissura labiopalatina
Em virtude da data de fundação do HRAC, 24 de junho também foi escolhido para celebrar o Dia Municipal da Pessoa com Fissura Labiopalatina em Bauru, instituído pela Lei Municipal Nº 6.849/2016.

A fissura labiopalatina é uma condição congênita em que há comprometimento da fusão dos processos faciais durante a gestação, e está relacionada a uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Apresenta grande variabilidade clínica, podendo envolver desde uma pequena cicatriz labial até fissuras completas e bilaterais, que são mais complexas. Pode ocorrer de forma isolada, estar associada a outras malformações ou ainda fazer parte de um quadro sindrômico.

A prevalência no Brasil é de uma a cada 650 crianças nascidas, considerando apenas pacientes com fissura isolada de lábio e/ou palato. O diagnóstico pré-natal – por meio de ultrassom, geralmente entre a 15ª e 22ª semana de gestação – favorece o planejamento dos cuidados com o bebê, e o aconselhamento e orientação dos pais por equipe especializada tranquiliza a família. Após o nascimento, o foco principal é o cuidado nutricional, visando ganho de peso e um bom desenvolvimento global que favoreça condições para as primeiras cirurgias.

As principais implicações que as fissuras podem trazer ao indivíduo são dificuldade na alimentação, alterações na arcada dentária e na mordida, comprometimento do crescimento facial e do desenvolvimento da fala e audição. Ao longo dos anos, essa condição pode inclusive trazer impactos sociais e emocionais, como o bullying.

O tratamento é um processo longo que envolve a atuação de equipe interdisciplinar, das áreas de cirurgia plástica, odontologia, fonoaudiologia, entre outras especialidades, todas indispensáveis à reabilitação. Inicia-se desde o nascimento, seguindo durante o período de desenvolvimento e, dependendo do acometimento, até a fase adulta, com cirurgias e acompanhamento clínico, englobando aspectos funcionais, estéticos e emocionais. A participação da família nesse processo também é fundamental para a qualidade de vida do paciente e para o sucesso da reabilitação.