Guia orienta alimentação de recém-nascidos com fissura labiopalatina

Iniciativa conta com a participação de profissionais de fonoaudiologia e pediatria do Centrinho-USP                       

Um guia que acaba de ser publicado on-line no site do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP orienta a alimentação de recém-nascidos com fissura de lábio e/ou palato.

Intitulado Administração alimentar no recém-nascido com fissura labiopalatina, o guia foi elaborado por profissionais de fonoaudiologia e pediatria do Centrinho-USP e de outras instituições especializadas.

“Tanto a literatura como a prática clínica demonstram que uma das maiores preocupações de pais, cuidadores e até profissionais das maternidades é a alimentação do neonato com fissura labiopalatina. O objetivo, portanto, é disseminar amplamente as recomendações, buscando minimizar as dificuldades alimentares dessas crianças”, explica Rosana Prado de Oliveira, fonoaudióloga do Centrinho-USP e uma das autoras do guia.

O material está disponível no endereço www.hrac.usp.br/saude/manuais-para-pacientes, gratuitamente. Do Centrinho-USP, também participaram da elaboração do guia Jeniffer de Cássia Rillo Dutka, docente do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP) e do Programa de Pós-Graduação do HRAC-USP, e Hilton Coimbra Borgo, pediatra e chefe técnico do Departamento Hospitalar do Centrinho-USP.

Colaboraram ainda, de outras instituições, as fonoaudiólogas Ana Paula Bautzer, Camila Di Ninno, Daniela Barbosa, Eliana Midori Hanayama, Iracema Rocha, Italita Gomes Weyand, Lidia D’Agostino, Nídia Zambrana, Regianne Weitzberg, Rejane Gutierrez, Vera Cerruti e Zelita Guedes, e a pediatra Tatiane Selbach.

Adaptações e estratégias
De acordo Rosana Prado de Oliveira, recém-nascidos com fissura labiopalatina podem apresentar dificuldades de sucção, deglutição excessiva de ar, refluxo de leite pelo nariz e fadiga durante o aleitamento, o que pode resultar na redução da quantidade ingerida e, consequentemente, em problemas de nutrição e crescimento.

“É perfeitamente possível, contudo, utilizar estratégias facilitadoras para alimentar o bebê com fissura de forma segura e adequada”, reforça a fonoaudióloga. “É justamente isso que este guia vem detalhar, mostrando, em linguagem acessível, formas convencionais e alternativas de aleitamento, como a amamentação direta no seio materno, as adaptações posturais, o auxílio de mini mamadeiras também conhecidas como ‘chuquinhas’, ou ainda mamadeira com um bico macio e furo que permita o gotejamento”.

As recomendações contidas no guia são específicas para recém-nascidos com fissura isolada de lábio e/ou palato, isto é, sem outros comprometimentos ou malformações associadas.

A reabilitação
A fissura labiopalatina é uma condição congênita em que há comprometimento da fusão dos processos faciais durante a gestação, e está relacionada a uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

Apresenta grande variabilidade clínica, podendo envolver desde uma pequena cicatriz labial até fissuras completas e bilaterais, que são mais complexas. Pode ocorrer de forma isolada, estar associada a outras malformações ou ainda fazer parte de um quadro sindrômico. Além da deformidade anatômica, com alterações de arcada dentária e da estética facial, a fissura também pode provocar alterações funcionais na fala e na alimentação do bebê. A prevalência dessa malformação no Brasil é de uma a cada 650 crianças nascidas, considerando apenas pacientes com fissura isolada de lábio e/ou palato.

O tratamento é um processo longo que envolve a atuação de equipe interdisciplinar, das áreas de cirurgia plástica, odontologia, fonoaudiologia, entre outras especialidades da saúde, todas indispensáveis à reabilitação. Inicia-se desde o nascimento, seguindo durante o período de desenvolvimento e, dependendo do acometimento, até a fase adulta, com cirurgias e acompanhamento clínico.

(Foto: Alimentação de bebê com fissura no HRAC-USP. Crédito: Adauto Nascimento / Banco de imagens HRAC-USP)