Fonoterapia intensiva favorece reabilitação da fala e é diferencial na formação

Programa desenvolvido pela FOB-USP e HRAC-USP propicia, em três semanas, resultados de um ano de terapia convencional; iniciativa tem atraído especialistas estrangeiros   

Pacientes de seis Estados das cinco regiões do país – Pará, Rondônia, Bahia, Goiás, Paraná e São Paulo – estão participando, de 15 a 31 de julho, de mais um módulo do Programa de Fonoterapia Intensiva (PFI) realizado em uma parceria entre o Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP em Bauru.

“Um grande diferencial deste programa é o formato concentrado, que propicia resultado satisfatório em um curto período. Os pacientes são submetidos a uma média de 45 terapias, quatro sessões por dia, durante três semanas, de segunda a sábado. Para se ter uma ideia, pacientes que fazem a fonoterapia tradicional, uma vez por semana, fariam 45 sessões ao longo de um ano. Portanto, nessa proposta, fazemos um ano de terapia em apenas três semanas”, explica a professora Maria Inês Pegoraro-Krook, que coordena o PFI juntamente com a docente Jeniffer de Cássia Rillo Dutka, ambas do Departamento de Fonoaudiologia da FOB-USP e do Programa de Pós-Graduação do HRAC-USP.

A professora Maria Inês ressalta que “em razão do ineditismo e dos resultados obtidos com os pacientes participantes, o programa tem atraído a atenção de profissionais e especialistas estrangeiros”. “Neste módulo, contamos com a participação de uma psicóloga e uma fonoaudióloga da Argentina, uma médica foniatra e uma fonoaudióloga da Espanha, e também uma fonoaudióloga da Ucrânia”, informa.

Assistência e ensino
Iniciado em 2012 e com dois módulos por ano, o Programa de Fonoterapia Intensiva é voltado a pacientes com fissura labiopalatina do HRAC-USP que têm dificuldade de acesso à terapia de fala em suas cidades de origem.

As terapias ocorrem na Clínica de Fonoaudiologia da FOB-USP e os atendimentos de prótese de palato e de outras áreas (como nasoendoscopia, videofluoroscopia, gravação do material de fala, nasometria, odontologia, serviço social, neuropsicologia, otorrinolaringologia, psicopedagogia e cirurgia plástica) são realizados no HRAC-USP.

Além do caráter de assistência ao paciente, o PFI também é um diferencial importante na formação acadêmica. Participam do programa alunos do quarto ano de Fonoaudiologia da FOB-USP (disciplina Clínica de Anomalias Craniofaciais – Estágio Supervisionado); alunos de pós-graduação da FOB-USP (por meio do Programa de Aperfeiçoamento de Ensino – PAE) e do HRAC-USP (disciplina Tratamento Intensivo e Interdisciplinar na Reabilitação Funcional das Anomalias Craniofaciais); além de residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde – Síndromes e Anomalias Craniofaciais do HRAC-USP (disciplina Fonoterapia Intensiva).

“Durante a realização dos módulos, fazemos várias reuniões com todo o grupo envolvido para discutir as técnicas e estratégias utilizadas e a evolução do tratamento dos pacientes. Ao todo, são mais de 50 pessoas envolvidas, entre docentes, discentes, residentes, profissionais e pessoal de apoio”, assinala a professora Maria Inês Pegoraro-Krook. “O Programa de Fonoterapia Intensiva se tornou um grande laboratório de estudo, pesquisa e desenvolvimento de métodos de diagnóstico e tratamento mais eficazes e rápidos das alterações de fala decorrentes das fissuras labiopalatinas e das disfunções velofaríngeas. Além disso, contribui para preparar os futuros profissionais da área da saúde para atender pacientes com anomalias craniofaciais, principalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, conclui.

Cerimônia de encerramento
A cerimônia de encerramento deste módulo será realizada no dia 31 de julho, quarta-feira, às 17h, no Auditório “Profa. Dra. Maria Cecília Bevilacqua” (Bloco Didático 3 da FOB-USP), com a presença de toda a equipe envolvida, dos pacientes e seus acompanhantes e demais convidados.

(Foto: Professora Maria Inês Pegoraro-Krook durante atendimento do Programa de Fonoterapia Intensiva, módulo de julho de 2019. Crédito: Divulgação)