Centrinho-USP realiza força-tarefa de cirurgias de enxerto ósseo

70 pacientes deverão ser operados; ação mobilizará equipe do HRAC, estudantes de Medicina e residentes          

Na próxima semana, de 06 a 10 de maio, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP irá realizar a Semana de Cirurgia de Enxerto Ósseo de Bauru, em parceria com a ONG Smile Train, que apoia ações semelhantes em centros de fissura no Brasil e em diversos países.

A força-tarefa prevê operar 70 pacientes do Centrinho-USP com indicação de enxerto ósseo alveolar, cirurgia que reconstitui o osso do arco dentário em pacientes com fissura labiopalatina.

A Semana também contará com a participação dos estudantes do Curso de Medicina da FOB-USP Bauru e dos Programas de Residência Médica do HRAC-USP, que desenvolverão atividades didáticas e de orientação, sob supervisão.

“Além do caráter assistencial, de viabilizar resolutividade no processo de reabilitação desses 70 pacientes, a iniciativa terá importante viés acadêmico, será uma experiência diferenciada na formação dos futuros médicos e especialistas”, destaca o professor Cristiano Tonello, chefe técnico da Seção de Cirurgia Craniofacial do Centrinho-USP, docente do Curso de Medicina da FOB-USP e um dos organizadores da força-tarefa.

“Essa é uma ação de grandes proporções, mesmo em nível mundial, considerando a quantidade cirurgias desse porte no período de uma semana. Envolve diversas equipes do Centrinho-USP, das áreas de Cirurgia Plástica, Cirurgia Craniofacial, Cirurgia Bucomaxilofacial, Otorrinolaringologia, Anestesiologia, Enfermagem, Serviço Social e pessoal administrativo de agendamento”, completa.

De acordo com a cirurgiã-dentista Roberta Martinelli Carvalho, chefe técnica da Seção de Cirurgia Bucomaxilofacial do Centrinho-USP, “o impacto dessa força-tarefa será muito positivo. Na rotina normal, são realizadas cerca de dez cirurgias de enxerto ósseo por mês, nessa ação serão 70 em uma semana”.

A cirurgiã ressalta ainda que o procedimento de enxerto ósseo é uma etapa fundamental do tratamento de pacientes com fissura labiopalatina. “A cirurgia de enxerto ósseo reconstitui o rebordo alveolar, permitindo o progresso do tratamento ortodôntico para o restabelecimento da estética do sorriso e da função mastigatória, com implicação satisfatória para a autoestima e a qualidade de vida do paciente”, finaliza.

O procedimento
O enxerto ósseo alveolar visa preencher e criar estrutura na região do arco dentário onde há defeito ósseo. Para tanto, é utilizado osso do próprio paciente, retirado da crista ilíaca (na região do quadril) ou do mento (queixo). Todo o procedimento cirúrgico dura em torno de duas horas, envolvendo equipe médica, odontológica e de enfermagem.

Foto: Dr. Cristiano Tonello, HRAC-USP