Simpósio internacional discute fissuras orofaciais e pós-graduação

Evento aconteceu nos dias 25 e 26/10, na USP-Bauru, reunindo renomados especialistas do Brasil e do exterior e cerca de 500 congressistas   

O Programa de Pós-Graduação do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP-Bauru realizou, nos dias 25 e 26 de outubro, no Teatro Universitário do campus, o 6º Simpósio Internacional de Fissuras Orofaciais e Anomalias Relacionadas, reunindo renomados especialistas do Brasil e do exterior.

O evento contou com a participação de cerca de 500 congressistas, entre pesquisadores, profissionais e estudantes da área da saúde de dez países além do Brasil: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Nicarágua, República Dominicana, Estados Unidos e Suécia.

Completando dez anos nesse formato internacional, o Simpósio teve como tema principal neste ano “A fronteira do conhecimento na reabilitação das anomalias craniofaciais”. O objetivo foi discutir e disseminar os avanços no diagnóstico e tratamento interdisciplinar das fissuras labiopalatinas e anomalias relacionadas.

Abertura
A solenidade de abertura do Simpósio ocorreu na manhã do dia 25 de outubro, e contou com execução do Hino Nacional e pronunciamentos.

(Foto: Denise Guimarães, FOB-USP)

“A Pós-Graduação no Brasil vive um momento de muita reflexão. Um Simpósio como esse, organizado por um Programa que é único, é um grande desafio. Essa força de todas as pessoas que estão aqui hoje reunidas é a melhor resposta que podemos dar. Por meio da educação, na Pós-Graduação stricto sensu – Mestrado e Doutorado –, e por meio da pesquisa nós podermos dar nossa contribuição para o país melhorar”, afirmou o professor Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do HRAC-USP e diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP).

O dirigente também salientou que “é importante os estudantes entenderem que o networking científico propiciado nos eventos pode determinar o seu futuro acadêmico e profissional”.

Carlos Ferreira dos Santos destacou ainda que o maior beneficiário de todas as discussões realizadas no evento é o paciente. “Fazemos pesquisa para tentar alcançar um tratamento mais eficaz”, frisou.

Em sua fala, a professora Adelaide Faljoni-Alario, coordenadora da Área Interdisciplinar da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e docente da USP e da Universidade Federal do ABC (UFABC), enfatizou que o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação do HRAC-USP – área de concentração Fissuras Orofaciais e Anomalias Relacionadas – é único nesta temática em toda a América Latina.

“É um Programa genuinamente interdisciplinar, que é a modernidade que se faz atualmente no mundo todo. Olhar o paciente como figura importante, da qual nós temos que cuidar. Cuida-se da saúde em geral, mas sem deixar de lado a pesquisa acadêmica, valiosa para se gerar conhecimentos novos dentro de um hospital que é referência mundial. E também temos a FOB, outra unidade muito especial”, pontuou.

O professor Guilherme Janson, superintendente substituto do HRAC-USP e vice-diretor da FOB-USP, agradeceu aos palestrantes nacionais e internacionais, que vieram compartilhar seu conhecimento com todos os participantes.

“A iniciativa de um evento como esse é muito importante para a divulgação de toda a pesquisa que se faz neste hospital, e também para gerar novos conhecimentos e novas oportunidades”, assinalou.

(Foto: Denise Guimarães, FOB-USP)

Já a professora Ivy Trindade-Suedam, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação do HRAC-USP e presidente da Comissão Científica do evento, ressaltou a importância dos temas abordados no Simpósio e a internacionalização como ponto forte do Programa de Pós-Graduação do HRAC-USP. “Estamos caminhando rumo ao estabelecimento de novos projetos de cooperação interinstitucional”, informou.

De reabilitada a reabilitadora
Um momento que emocionou os presentes no Teatro Universitário foi a conferência “A fissura labiopalatina e minha vida: Voando cada vez mais alto”, com o cirurgião plástico Nélio Kurimori e sua filha, a ortodontista Érika Kurimori, paciente do HRAC-USP reabilitada e aluna de Mestrado do Hospital.

(Foto: Denise Guimarães, FOB-USP)

Érika Kurimori fez um comovente relato de sua trajetória de vida, desde o início do tratamento no HRAC-USP – na infância –, passando pela graduação em Odontologia na Unisagrado de Bauru, especialização em Ortodontia no HRAC-USP, e, desde 2018, o mestrado no Hospital.

“‘Nunca deixe de estudar e seja independente’. É o que escuto desde pequena dos meus pais, sempre grandes incentivadores para todos os quatro filhos. Pai, mãe, vocês são minha maior fonte de inspiração. Vocês sempre estão comigo, me apoiando em todas as minhas aventuras e desventuras. Optei pela Odontologia por toda a minha trajetória no Centrinho e o incentivo de tias e amigas cirurgiãs-dentistas. Quando me graduei, em 2013, a única certeza que tinha era que eu queria me pós-graduar no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais. Em 2014 [após ingressar no curso de Atualização em Ortodontia Preventiva e Interceptiva do HRAC-USP], meu desejo se realizou, e minha rotina passou a ter a convivência diária com pacientes com fissura labiopalatina. Foi apaixonante! Esse choque de realidade fez muito bem para eu me reconhecer, e aceitar por completo que não existe limitações para ninguém quando passamos a enxergar a vida de outra maneira. Só quem já teve a oportunidade de estar aqui no hospital conhece o sentimento que falo: empatia e tratamento humanizado transbordam”, narrou a mestranda.

“Foram quatro anos até obter o título de especialista em Ortodontia. A felicidade foi enorme, mas com ela também veio a incerteza. Me peguei questionando: ter fissura labiopalatina seria uma limitação para a vida acadêmica? Eu decidi sair da bolha de conforto e consegui ingressar no Mestrado do Centrinho. Mais um degrau que eu subia. Confesso que meu maior desconforto são os seminários, falar em público. Mas me esforço ao máximo, buscando sempre apresentar trabalhos nos congressos, e a confiança vem se sedimentando com cada menção honrosa que recebo. E hoje estou aqui, diante de todos vocês, no Teatro da FOB-USP. Minhas pernas ainda bambeiam, e meu coração está a mil. Mas estou aqui, voando cada vez mais alto”, finalizou.

Programação

(Foto: Márcio Antonio da Silva, HRAC-USP)

Na sequência, aconteceram as conferências: “A interdisciplinaridade na Pós-Graduação” (com a professora Adelaide Faljoni-Alario, da Capes); e “New insights in cleft palate repair and cleft care through education” (com o cirurgião plástico John van Aalst, diretor de Pesquisa do Shriners Hospitals for Children, de Cincinnati, Estados Unidos).

(Foto: Márcio Antonio da Silva, HRAC-USP)

Ainda na manhã do dia 25 de outubro, o professor Carlos Gilberto Carlotti Júnior, pró-reitor de Pós-Graduação da USP, ministrou a conferência magna “Atividades de Internacionalização da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP”.

A professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária da USP, também prestigiou o evento.

(Foto: Márcio Antonio da Silva, HRAC-USP)

No período da tarde, ocorreram as conferências: “Nasoalveolar molding: State of the art” (com a ortodontista Carolina Gutiérrez Melis, da Fundación Gantz e Hospital del Niño com Fisura, de Santiago, Chile); e “Language and speech in cleft lip and palate: Early intervention” (com a professora Nancy Scherer, do Departamento de Fonoaudiologia do College of Health Solutions da Arizona State University-ASU, de Phoenix, Estados Unidos). Também foram apresentados mais de 120 trabalhos científicos (e-posters).

O Simpósio prosseguiu na manhã do dia 26 de outubro, com o painel “Anomalias craniofaciais: Protocolos do HRAC-USP baseados em evidências científicas”, com participação de Cristiano Tonello (cirurgião craniofacial do HRAC-USP e professor do Curso de Medicina da FOB-USP), Terumi Okada Ozawa (ortodontista do HRAC-USP) e Melissa Zattoni Antoneli (fonoaudióloga do HRAC-USP). O moderador foi o professor Nivaldo Alonso, docente da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina (FM-USP) e cirurgião craniofacial do HRAC-USP. No final da manhã, aconteceu a premiação dos trabalhos científicos e encerramento do evento.

A comissão científica do Simpósio foi composta por docentes, profissionais e alunos de pós-graduação do HRAC-USP e FOB-USP, e por alunos de graduação dos três cursos da FOB-USP (Odontologia, Fonoaudiologia e Medicina).

6º Simpósio Internacional de Fissuras Orofaciais e Anomalias Relacionadas contou ainda com apoio da Superintendência do HRAC-USP, da Diretoria da FOB-USP, do National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos e da Smile Train, instituição filantrópica internacional que apoia o tratamento da fissura labiopalatina em mais de 85 países.

Veja o álbum de fotos do evento no Facebook do HRAC-USP!

Assista também, neste link, entrevista com a professora Ivy Trindade-Suedam sobre o Simpósio.