Residente do HRAC-USP é premiada em jornada de psicologia hospitalar

Estudo sobre preparo psicológico para exame invasivo em crianças foi o melhor trabalho em congresso do HCFMB-Unesp   

Um estudo realizado no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP recebeu o prêmio de melhor trabalho na 4ª Jornada de Psicologia Hospitalar do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) da Unesp, realizada nos dias 8 e 9 de novembro.

Intitulado “Preparo psicológico para realização de exame de nasofaringoscopia com crianças: Um relato de experiência”, o trabalho é de autoria de Elida Garbo Guedes, residente de Psicologia do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde – Síndromes e Anomalias Craniofaciais do HRAC-USP (foto), e de Mariani da Costa Ribas do Prado, tutora da Residência e chefe da Seção de Psicologia do HRAC.

O exame de nasofaringoscopia, realizado por cirurgião plástico e fonoaudiólogo, consiste na inserção de endoscópio via cavidade nasal até a nasofaringe, e é um dos métodos de diagnóstico mais empregados para identificar hipernasalidade na fala em pacientes com fissura palatina.

Segundo a psicóloga Mariani Prado, a necessidade de realização de exames invasivos em crianças em reabilitação das fissuras labiopalatinas faz com que o preparo psicológico para esses procedimentos seja rotina na instituição. “O atendimento psicológico é realizado antes do procedimento em crianças entre 4 e 12 anos, e visa, por meio de recursos lúdicos como imagens e brinquedos, explicar como ocorre o procedimento e sua importância para definição da conduta de tratamento, para assim prepará-las para o exame, desmistificar crenças equivocadas, minimizar ansiedades e medos e favorecer a colaboração das mesmas”, explica.

A psicóloga conta que é utilizado, inclusive, como gratificação, o “Certificado de Coragem”, por meio do qual as crianças são estimuladas a serem “corajosas” para realizar o exame. “Os responsáveis são orientados a retornar à Seção de Psicologia após a realização do exame para que a criança receba seu certificado, momento no qual a maioria delas demonstra até mesmo orgulho de ter realizado o procedimento”, relata.

O trabalho conclui que o atendimento psicológico voltado à preparação de crianças para enfrentar procedimentos invasivos é essencial para propiciar espaço seguro e acolhedor que favoreça seu entendimento dessa etapa do tratamento. Além disso, possibilita ao profissional de Psicologia o desenvolvimento de habilidades necessárias para sua atuação em ambiente hospitalar, como estabelecer rapport adequado [ligação, empatia], acolher sentimentos como ansiedade e medos e adaptar suas orientações à idade e escolaridade da criança.