HRAC-USP completa 51 anos priorizando serviço, plano de investimento e foco acadêmico

Solenidade no dia 25/06 marca a data e reúne equipe do Hospital, comunidade USP e autoridades          

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP em Bauru completa 51 anos de fundação no próximo dia 24 de junho, domingo. Na segunda-feira, 25 de junho, às 8h, será realizada uma solenidade no jardim interno do Hospital para comemorar a data, com hasteamento da Bandeira Nacional, pronunciamento sobre expectativas da instituição e da sociedade, e celebração ecumênica. O evento irá reunir pacientes e familiares, dirigentes, servidores, docentes e estudantes do campus USP-Bauru, além de autoridades convidadas.

Foto: Denise Guimarães/ FOB USP

Segundo o professor José Sebastião dos Santos, superintendente do HRAC e coordenador do curso de Medicina da USP-Bauru, algumas das prioridades da atual gestão é assumir com os servidores e gestores condição de prestador de serviço de saúde para fortalecer a vocação como hospital de ensino e pesquisa.

“Nesse contexto, estudos e tratativas têm sido feitas para instituir a ordenação do acesso dos pacientes via Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS). Adicionalmente, está em curso um mapeamento das condições estruturais e sanitárias do Hospital, com a Vigilância Sanitária e o Corpo de Bombeiros, visando à identificação da necessidade de adequações para subsidiar elaboração de plano de investimento que comporte as atuais atividades e outras a serem definidas entre o SUS e a Universidade”, destaca.

Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP

A ampliação do foco acadêmico na instituição – com incremento da atuação de estudantes de graduação em atividades curriculares no Hospital – é outra prioridade da gestão. Neste primeiro semestre de 2018, a estrutura do HRAC já serviu de local para aprendizado dos estudantes dos Cursos de Medicina, Odontologia e Fonoaudiologia do campus. O Hospital também abriga o Núcleo de Educação e Capacitação em Saúde (Necs), importante Centro de Simulação já em funcionamento e que, a partir do segundo semestre, servirá não só para a formação dos estudantes, mas também para a capacitação dos profissionais da rede pública de saúde, como contrapartida da USP para o desenvolvimento de Bauru e região.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Medicina
Nos últimos anos, muito tem se falado no HRAC como “berço” ou “semente” do curso e de uma futura Faculdade de Medicina da USP-Bauru. E não é para menos. Assim como a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) – unidade de ensino que abriga o novo curso –, mais do que oferecer estrutura física e recursos humanos, o HRAC e suas especialidades serão carro-chefe na identidade da Medicina USP-Bauru.

“O curso e uma futura Faculdade de Medicina já nascem com uma base forte nas áreas de anomalias craniofaciais, síndromes associadas e saúde auditiva, especialidades nas quais o HRAC se consolidou como referência nacional e internacional ao longo desses 51 anos de trabalho. A partir daí, a proposta é agregar no futuro Hospital das Clínicas outras áreas e especialidades que a rede de atenção do Sistema Único de Saúde de Bauru e região necessitam”, salienta o professor José Sebastião.

A instituição
O HRAC/Centrinho-USP é uma instituição pública de assistência especializada em saúde, ensino e pesquisa, mantida com recursos da USP, do Sistema Único de Saúde (SUS) e de convênios. O trabalho interdisciplinar de sua equipe, o processo de reabilitação integral e a humanização no atendimento ao paciente são características que desde a origem marcaram o trabalho do Hospital e se destacam até os dias atuais.

Pioneiro em suas áreas de atuação, o HRAC é considerado centro de referência em pesquisa e tratamento das anomalias craniofaciais congênitas, síndromes associadas e deficiência auditiva, com atendimento 100% via SUS. A instituição registra, desde 1967, mais de 111.000 pacientes matriculados no total (sendo cerca de 62.000 em tratamento). Seu Programa de Implante Coclear (dispositivo eletrônico inserido cirurgicamente para estimulação direta do nervo auditivo) é um dos principais do país, com mais de 1.700 cirurgias já realizadas.

Reconhecido como hospital de ensino pelos Ministérios da Saúde e da Educação, é um importante núcleo de geração e difusão do conhecimento, inovações e protocolos de tratamento. Com programa de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) único no país e diversos cursos lato sensu e de extensão (especializações, residências médica e multiprofissionais, aprimoramento profissional e práticas profissionalizantes), todos gratuitos, já formou mais de 1.400 mestres, doutores e especialistas.

O HRAC mantém ainda convênios de cooperação e mobilidade acadêmica com instituições de ensino do exterior (o que reforça sua vocação científica e para a internacionalização) e diversas ações em telessaúde (o que amplia as possibilidades de educação, pesquisa e apoio à assistência à distância).

Por todas essas características, a instituição consolida-se nacional e internacionalmente como um qualificado centro de reabilitação em saúde, formação profissional e pesquisa avançada, tendo contribuído, ao longo dos anos, inclusive, com a implementação de políticas públicas em saúde no país.

Dia municipal e conscientização
Em virtude da data de fundação do HRAC, 24 de junho também foi escolhido para celebrar o Dia Municipal da Pessoa com Fissura Labiopalatina em Bauru, instituído pela Lei Municipal Nº 6.849/2016.

Com o objetivo de disseminar informações sobre a fissura labiopalatina e o processo de reabilitação, promover atividades de educação em saúde e sensibilizar a sociedade sobre o tema, o Serviço Social do HRAC está planejando para o segundo semestre, em conjunto com a Secretaria de Educação de Bauru, uma série de palestras sobre o tema para estudantes de até 14 anos da rede municipal de ensino.

Foto: Adauto Nascimento / HRAC-USP

Você sabia?
– As fissuras labiopalatinas são aberturas na região do lábio e/ou palato que incidem em uma a cada 700 crianças nascidas;
– Essa malformação pode ser identificada por ultrassom, geralmente entre a 15ª e a 22ª semana de gestação. O diagnóstico pré-natal favorece o planejamento dos cuidados com o bebê e o aconselhamento e orientação dos pais por equipe especializada tranquiliza a família;
– Após o nascimento, o foco principal é o cuidado nutricional, visando ganho de peso e um bom desenvolvimento global que favoreça condições para as primeiras cirurgias;
– As principais implicações que as fissuras podem trazer ao indivíduo são dificuldade na alimentação, alterações na arcada dentária e na mordida, comprometimento do crescimento facial e do desenvolvimento da fala e audição. Ao longo dos anos, essa condição pode inclusive trazer impactos sociais e emocionais, como o bullying;
– O tratamento da pessoa com fissura engloba aspectos funcionais, estéticos e emocionais. A atuação da equipe interdisciplinar e a participação da família no processo é fundamental para a qualidade de vida do paciente e para o sucesso da reabilitação;
– Saiba mais em www.hrac.usp.br/noticias/2016/fissura-labiopalatina-o-que-e-importante-saber.