Pró-reitor em Bauru: salto de qualidade na pesquisa

Em visita ao campus de Bauru da Universidade de São Paulo (USP) nesta quinta-feira, 11 de maio, o pró-reitor de Pesquisa da instituição, professor José Eduardo Krieger, destacou que um grande desafio é a transição de quantidade para qualidade da pesquisa e das publicações no Brasil. “Essa transição passa por mudanças culturais e também por novos arranjos da Universidade, que criem as condições necessárias. E, parte importante disso, é direcionar os recursos que já existem para essa finalidade”, pontuou, em Bauru.

A qualidade da pesquisa, entre outros fatores, é levada em conta a partir do impacto dos artigos científicos publicados, que é medido pelo número de citações do trabalho por outros pesquisadores. Segundo o pró-reitor, dados apontam que trabalhos com participação de pesquisadores de diversos países acabam tendo mais citações e, apesar de não ser o único indicador a ser considerado, resulta também na qualidade do trabalho.

De acordo com o professor Krieger, os focos principais da USP para um salto de qualidade na pesquisa são: facilitar a pesquisa interdisciplinar e cooperativa; intensificar as ações de internacionalização; favorecer projetos de longo prazo e alto impacto; aprimorar o direcionamento e aproveitamento de vocações; e possibilitar ao pesquisador maior tempo de dedicação à pesquisa, e não à gestão dos projetos.

A consolidação dos Núcleos de Apoio à Pesquisa-NAPs (que propiciam a união de pesquisadores de áreas diversas em grupos multidisciplinares); o incentivo à implementação das Centrais Multiusuários (laboratórios que reúnem equipamentos de alto custo, compartilháveis e disponibilizados a diferentes pesquisadores da própria USP ou instituições externas, permitindo acesso de um maior número de usuários a técnicas e métodos avançados de investigação); o estímulo a parcerias e convênios de cooperação internacional e mobilidade acadêmica; e a disponibilização  ferramentas e sistemas de gestão de projetos (em parceria com a Superintendência de Tecnologia da Informação-STI) estão entre as principais medidas da Universidade visando à qualidade.

Mais pós-doutorandos
O passo mais recente nesse sentido é a instituição, pela Pró-Reitoria de Pesquisa, do Programa de Incentivo à Atração de Pós-Doutorandos, que irá oferecer auxílio permanência a pesquisadores que estejam aguardando aprovação de bolsa para seu projeto pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Os auxílios terão valor mensal de R$ 2 mil, serão pagos pelo período de até seis meses e suspensos assim que a Fapesp aprovar o projeto. Voltado a pós-doutorandos de todas as áreas do conhecimento que atuam nas Unidades de Ensino e Pesquisa da Universidade, o programa deverá contemplar inicialmente 15 pesquisadores.

“A grande força de trabalho nos laboratórios de ponta, em uma universidade de pesquisa como a nossa, deve ser o pós-doc. É assim que as mais importantes universidades do mundo atuam. Esse é o indivíduo que já conhece muito bem o método científico e está pronto para desenvolver sua pesquisa de maneira independente”, ressalta o pró-reitor.

A USP tem atualmente cerca de 2.100 pós-doutorandos, dos quais 740 são bolsistas da Fapesp. O campus de Bauru, ao todo, tem 24 pós-doutorandos, sendo 9 com bolsa. “Hoje, temos a proporção de 0,3 pós-doc por docente. Queremos que essa relação chegue a 1 por 1 e, ao longo do tempo, aumente. Naquelas instituições com as quais a gente procura se comparar, pelo que representam no ambiente acadêmico e científico, a relação é muito maior”, explica o professor Krieger.

Palestra e visita
Além da palestra com o pró-reitor, realizada no Teatro Universitário da USP-Bauru, alunos, professores e profissionais do campus também participaram, no período da manhã, de palestra com o professor Hamilton Varela, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) e assessor técnico da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, que falou sobre boas práticas em pesquisa científica.

No período da tarde, os professores visitaram os laboratórios de pesquisa da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho).

Trajetória
O professor José Eduardo Krieger graduou-se pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP (1984), recebeu o título de doutor em Fisiologia pelo Medical College Of Wisconsin (1988), e tem pós-doutorado em biologia molecular pela Harvard Medical School (1990) e Stanford University School of Medicine (1992). Docente da USP desde 1990, atua junto ao Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina (FMUSP), onde é professor titular de Genética e Medicina Molecular e dirige o Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do InCor-HCFMUSP. É pró-reitor de pesquisa da USP desde 2014 e membro regular da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo.

(Com informações da Assessoria de Imprensa da USP/Reitoria)

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Foto: Tiago Rodella, HRAC-USP

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