Formação acadêmica e melhora da fala

Parceria entre HRAC e FOB, fonoterapia intensiva inovadora promove reabilitação da fala em pacientes de nove estados das cinco regiões do país, além de ser diferencial na formação de alunos de graduação e pós-graduação e residentes

Neste mês de março, foi realizada mais uma edição do Programa de Fonoterapia Intensiva (PFI), uma parceria entre o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) e a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da USP, sob a coordenação das professoras Maria Inês Pegoraro-Krook e Jeniffer Dutka, ambas do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade e do Programa de Pós-Graduação do Hospital.

Neste ano, participaram alunos da graduação do curso de Fonoaudiologia da FOB, por meio da disciplina Clínica de Anomalias Craniofaciais – Estágio Supervisionado; da pós-graduação da Faculdade, por meio do Programa de Aperfeiçoamento de Ensino-PAE; e alunos do HRAC, por meio do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde, da área de Fonoaudiologia. Participaram também os fonoaudiólogos e dentistas do serviço de Prótese de Palato e profissionais do Serviço Social do Hospital.

O PFI atende pacientes do HRAC provenientes de vários estados do Brasil que têm dificuldade de obter acesso à terapia de fala ou acesso qualificado de terapia em suas cidades de origem. No Programa, os pacientes são submetidos a uma média de 40 terapias num período de três semanas, de segunda a sábado, com a supervisão geral das docentes responsáveis. Esta edição contou com 14 pacientes, crianças e adultos – de nove estados das cinco regiões do país: Rondônia (Norte); Piauí (Nordeste); Distrito Federal e Mato Grosso (Centro-Oeste); Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (Sudeste); e Paraná (Sul). Eles permaneceram em Bauru de 6 a 23/03 e foram submetidos a uma média de três sessões de terapia por dia.

As terapias ocorreram na Clínica de Fonoaudiologia da FOB e os atendimentos dos pacientes pelas áreas de Serviço Social e Prótese de Palato ocorreram no HRAC. Durante o período do PFI, foram realizadas várias reuniões com todo o grupo envolvido – alunos, professores, profissionais e coordenadores –, para discutir as técnicas utilizadas e a evolução do tratamento dos pacientes. No total, foram cerca de 60 pessoas envolvidas, entre docentes, discentes, residentes, profissionais e pessoal de apoio.

Ao término, os pacientes são encaminhados para dar continuidade ao tratamento com fonoaudiólogos de suas cidades de origem, os quais recebem orientação da equipe da USP-Bauru à distancia, por meio de recursos de Telessaúde.

“O PFI se tornou um grande laboratório de estudo e desenvolvimento de métodos de diagnóstico e tratamento mais eficazes e rápidos das alterações de fala decorrentes das fissuras labiopalatinas e das disfunções velofaríngeas”, afirma a professora Maria Inês Pegoraro-Krook. “Resultados inéditos decorrentes de pesquisas e inovações realizadas por alunos da graduação e da pós-graduação têm sido empregados na prática clínica não somente por profissionais da Fonoaudiologia que trabalham no HRAC como por fonoaudiólogos de outras regiões do país”, destaca.

Para a professora, além dos pacientes poderem receber um tratamento de fala de alto nível, o ensino integrando alunos de graduação e pós-graduação e residentes proporciona uma possibilidade inédita: gerar pesquisas e preparar os futuros profissionais da área da saúde para atender pacientes com anomalias craniofaciais, especialmente via Sistema Único de Saúde (SUS).

“Preparamos a infraestrutura necessária para que os pacientes pudessem fazer não somente as terapias, mas também ser submetidos a todo o processo de avaliação clínica e instrumental, e à intervenção das áreas correlatas durante sua permanência em Bauru. Montamos uma verdadeira força-tarefa em prol do ensino de qualidade, da pesquisa e, principalmente, de um tratamento fonoaudiológico inédito e inovador, envolvendo parceria entre FOB e HRAC”, finaliza Maria Inês.

Projeção internacional
Esta edição contou com um diferencial, a visita de pesquisadores dos Estados Unidos para conhecerem de perto o Programa. Participaram das atividades cinco pós-graduandos da University of Central Florida (UCF) e sete alunos de graduação da University of South Florida (USF), por meio de parcerias científicas entre a USP-Bauru e as instituições americanas. As visitas tiveram a supervisão das professoras Maria Inês e Jeniffer, do campus bauruense.

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Legenda: Professora Maria Inês Krook durante sessão de fonoterapia intensiva
Foto: Banco de imagens / HRAC-USP